O perigo invisível do fumo dos incêndios florestais

O perigo invisível do fumo dos incêndios florestais

Novas investigações estão a lançar luz sobre uma dimensão mais preocupante do problema: a possível ligação entre a exposição prolongada ao fumo do fogo e um risco acrescido de certos tipos de cancro.

Um Olhar Europeu com ERT /
Serviço de Emergência Estatal da Ucrânia / AFP



Durante muitos anos, o fumo dos incêndios florestais foi encarado sobretudo como ameaça direta aos sistemas respiratório e cardiovascular. O quadro era familiar: dificuldades respiratórias, irritação ocular, tosse, agravamento da asma, especialmente grave para os idosos e os grupos vulneráveis.

No entanto, novas investigações estão a lançar luz sobre uma dimensão mais preocupante do problema: a possível ligação entre a exposição prolongada ao fumo do fogo e um risco acrescido de certos tipos de cancro.

Os resultados foram apresentados na reunião anual da Associação Americana para a Investigação do Cancro (AACR) 2026 e mostram que a exposição ao fumo do fogo foi associada a um risco significativamente maior de cancro do pulmão, colorretal, da mama, da bexiga e do sangue.

O estudo baseou-se na análise de dados de um grande rastreio do cancro PLCO dos EUA, um esforço de investigação plurianual que acompanha a incidência do cancro em adultos de diferentes regiões dos Estados Unidos. 

Os investigadores analisaram 91.460 participantes que foram avaliados quanto à exposição ao fumo do fogo. Os cientistas associaram dados sobre a poluição atmosférica das zonas de residência dos participantes a dados de satélite que registaram a presença de fumo de incêndios florestais desde 2006.

O fumo do fogo parece ser não só um acontecimento ambiental transitório, mas também um fator com efeitos a longo prazo na saúde. Como explicam os investigadores, este facto pode fazer sentido do ponto de vista biológico. O fumo dos incêndios contém uma vasta gama de substâncias tóxicas, incluindo compostos cancerígenos conhecidos, como os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. 

Embora o primeiro contacto com estas substâncias seja através dos pulmões, os efeitos vão para além dos pulmões. Segundo os cientistas, os compostos tóxicos podem também afetar o sangue, espalhando os carcinogéneos por todo o corpo, e a própria exposição ao fumo do tabaco provoca inflamação, uma condição associada à carcinogénese.

A investigação torna-se ainda mais importante dado que os incêndios florestais estão a tornar-se mais frequentes e mais intensos, tanto nos Estados Unidos como em todo o mundo. 

Os investigadores salientam que o fumo dos incêndios florestais se tornou uma importante fonte de poluição atmosférica, invertendo alguns dos progressos realizados ao longo de décadas no controlo da poluição atmosférica. Por outras palavras, não se trata apenas de um problema ambiental ou climático, mas também de um desafio emergente para a saúde pública.

ERTNews / 11 maio 2026 08:16 GMT+1

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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