Mundo
Presidência UE
O que muda com o Tratado de Lisboa assinado no Mosteiro dos Jerónimos
O texto aprovado em Outubro na Cimeira informal de Lisboa deixa cair algumas das disposições mais emblemáticas que constavam do Tratado Constitucional, rejeitado nos referendos de França e Holanda.
Desaparecem, por exemplo, todas as referências ao termo Constituição e a símbolos da União Europeia, como o hino, a bandeira e a divisa. São também eliminados o capítulo do Tratado Constitucional sobre o mercado interno e o princípio da universalidade da Carta de Direitos Fundamentais - Reino Unido e Polónia obtiveram derrogações à sua aplicação.
Porém, muitas das disposições inovadoras que compunham, em larga medida, a substância do Tratado Constitucional são recuperadas no novo texto.
Porém, muitas das disposições inovadoras que compunham, em larga medida, a substância do Tratado Constitucional são recuperadas no novo texto.
- Presidência do Conselho Europeu
O Tratado Reformador institui um sistema alternativo às actuais presidências rotativas. Caberá ao Conselho eleger um Presidente para um mandato de dois anos e meio, renovável por uma única vez. A personalidade eleita não poderá desempenhar quaisquer funções nacionais.
O actual sistema de presidências rotativas soferá alterações nos termos de uma deliberação a adoptar pelo Conselho. Está prevista a criação de equipas de três países-membros que, durante 18 meses, terão a seu cargo a presidência do Conselho de Assuntos Gerais e dos conselhos de ministros sectoriais – Economia e Finanças, Agricultura, Justiça e Administração Interna e Ambiente, entre outros. - Votação
A regra da dupla maioria é aplicada a partir de 2014.
O novo sistema de ponderação estabelece que as decisões do Conselho de Ministros da União Europeia terão de ser tomadas com a aprovação de 55 por cento dos Estados (15 dos 27 membros), representando 65 por cento da população.
O ascendente dos Estados-membros mais populosos sai, assim, reforçado, pese embora a perda de influência que sofrem na Comissão Europeia com a redução do número de comissários. - Redução do elenco da Comissão Europeia
A partir de 2014, o executivo comunitário será composto por 18 comissários, número que corresponde a dois terços dos Estados-membros. Futuras adesões terão reflexos na composição da Comissão.
É eliminado o actual sistema, que atribuía a cada país o seu “representante” no Executivo de Bruxelas. Nos termos do Tratado Reformador, os países-membros passam a indicar um comissário na base de uma “rotação igualitária” - uma vez em cada três mandatos de cinco anos, cada um dos Estados ficará arredado da Comissão Europeia. - Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança
O Alto Representante é simultaneamente vice-presidente da Comissão Europeia, cumprindo, tal como os comissários europeus, um mandato de cinco anos.
O Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança Comum preside ao Conselho dos Negócios Estrangeiros e conduz, sem prejuízo das diplomacias nacionais, o diálogo extracomunitário em nome da União Europeia. - Maioria qualificada
É alargado o conjunto de questões a decidir por maioria qualificada, destacando-se os sectores da cooperação judicial e policial, da imigração e das relações externas.
O Parlamento Europeu vê os seus poderes reforçados naquelas matérias, uma vez que as decisões passam a ser partilhadas com o Conselho.
Portugal e os demais parceiros europeus mantêm a prerrogativa do bloqueio de decisões que afectem directamente as respectivas soberanias em sectores como a política externa da União Europeia, legislação fiscal, política social ou a revisão dos tratados.
Embora participe no processo de decisão, o Reino Unido logrou fixar cláusulas de excepção que o isentam da aplicação de decisões no âmbito da cooperação judicial e policial. - Parlamento Europeu
O hemiciclo passa a ser ocupado por 750 eurodeputados (contra os actuais 785). A distribuição de assentos tem em conta as respectivas populações dos Estados-membros.
A fórmula “750+1” divisada em Lisboa significa que o presidente do Parlamento Europeu deixa de ser considerado um eurodeputado.
Nenhum país-membro da União Europeia pode ter mais de 96 eurodeputados ou menos de seis. - Parlamentos nacionais
Todas as propostas produzidas pelas instituições europeias terão obrigatoriamente de ser comunicadas aos parlamentos dos Estados-membros. Estes últimos terão oito semanas para se pronunciarem quanto ao princípio da subsidiariedade – validar, ou não, a tomada de decisões a nível comunitário. - Delimitação de competências
Política monetária, concorrência, comércio e união aduaneira configuram competências exclusivas da União Europeia.
Estados-membros e União partilham competências nos domínios da política social, do mercado interno, da energia e da investigação científica. - Personalidade jurídica da União Europeia
A UE poderá celebrar tratados internacionais e ser parte activa em processos conduzidos por tribunais nacionais e internacionais. - Cooperações reforçadas
O Tratado Reformador institui um mecanismo que facilita a abertura de cooperações reforçadas entre países-membros que pretendam consolidar o seu processo de integração em questões não exclusivas à União Europeia.