ONG diz que Frelimo ganhou eleição autárquica de Marromeu com 2.406 votos fantasmas
O Centro de Integridade Pública (CIP), organização não-governamental moçambicana, acusou hoje os órgãos eleitorais de terem permitido que a Frelimo, partido no poder, ganhasse a eleição autárquica de Marromeu, centro do país, com 2.406 votos de eleitores fantasmas.
"Para a Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique] ganhar, houve necessidade de 2.406 votos de eleitores fantasmas e, simultaneamente, à Renamo [Resistência Nacional Moçambicana] foram roubados 1.113 votos", refere uma análise do CIP à eleição autárquica do passado dia 23 em Marromeu.
Os resultados anunciados na sexta-feira pela Comissão Distrital de Eleições (CDE) de Marromeu dão vitória à Frelimo com uma diferença de 772 votos, assinala a organização.
"Estes resultados contrastam com os da contagem paralela feita pelos observadores eleitorais independentes, sendo que estes apontam para uma vitória da Renamo com cerca de 3.656 votos", lê-se na avaliação.
Na sexta-feira da semana passada, o CIP já tinha considerado a eleição autárquica da vila de Marromeu "grosseiramente fraudulenta".
A Renamo já anunciou que vai recorrer ao Conselho Constitucional (CC) do escrutínio, considerando-o "uma vergonha nacional".
Marromeu teve de repetir a eleição autárquica, depois de o Conselho Constitucional ter invalidado os resultados do escrutínio de 10 de outubro devido a irregularidades.