ONG diz que Governo de Cuba libertou 14 presos políticos

ONG diz que Governo de Cuba libertou 14 presos políticos

Uma organização não governamental (ONG) anunciou que as autoridades de Cuba libertaram 14 pessoas detidas após os protestos antigovernamentais de julho de 2021, um dia depois da libertação de outras duas.

Lusa /

A libertação, confirmada no sábado pela organização Cubalex, sediada na cidade norte-americana de Miami, faz parte de um acordo com o Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington.

Horas antes, o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou ter mantido recentemente conversações com representantes do Governo dos Estados Unidos para identificar questões bilaterais que precisam de ser resolvidas.

Na quinta-feira, Cuba tinha prometido libertar "nos próximos dias" 51 reclusos que cumpriram "uma parte significativa das suas penas" e que demonstraram "boa conduta na prisão", como sinal de "boa vontade" para com o Vaticano.

Os primeiros dois prisioneiros foram libertados na sexta-feira.

A Amnistia Internacional criticou a "falta de transparência" no anúncio de quinta-feira, nomeadamente sobre se os libertados eram "pessoas privadas de liberdade por razões políticas".

A organização de defesa dos direitos humanos denunciou ainda o uso "desumanizante" de prisioneiros "como moeda de troca num jogo político" e insistiu na libertação "imediata e incondicional" de todos os "injustamente presos em Cuba".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba alegou que, desde 2010, o Governo concedeu indultos a 9.905 prisioneiros, enquanto nos últimos três anos outros 10 mil prisioneiros foram libertados sob diversas condições.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Justicia11J, sediada fora da ilha, 760 pessoas estão presas em Cuba por motivos políticos, incluindo 358 pela participação nos protestos de 2021.

As autoridades comunistas da ilha das Caraíbas acusaram os Estados Unidos de orquestrarem os históricos protestos de julho de 2021 com o objetivo de derrubar o governo de partido único.

Os Estados Unidos impuseram um bloqueio energético a Cuba desde janeiro, alegando a "ameaça excecional" que a ilha comunista, situada a apenas 150 quilómetros da costa da Florida, representa para a segurança nacional norte-americana.

Na sexta-feira, um dirigente da Casa Branca reiterou à agência de notícias France-Presse a afirmação do Presidente norte-americano Trump de que Cuba é uma "nação falida" e que um acordo com Havana "seria muito fácil de alcançar".

O país de 9,6 milhões de habitantes, sob embargo norte-americano e já assolado por uma profunda crise económica, enfrenta uma significativa escassez de combustível e frequentes apagões.

A Igreja Católica tem desempenhado um papel de mediador na libertação de presos políticos na ilha comunista e nas relações diplomáticas entre Washington e Havana.

Em 28 de fevereiro, durante uma visita diplomática à Europa, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, foi recebido em audiência pelo Papa Leão XIV.

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