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ONU alerta para 5,7 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda no Haiti

ONU alerta para 5,7 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda no Haiti

A ONU alertou hoje que 5,7 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar aguda no Haiti, país onde mais de metade da população necessita de assistência humanitária.

Lusa /
Ali Hashisho - Reuters

Numa conferência de imprensa em Nova Iorque, a diretora da divisão de resposta a crises do Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), Edem Wosornu, apresentou detalhes sobre a deslocação que fez no mês passado ao Haiti, descrevendo a situação como "uma das crises humanitárias mais graves e em rápida deterioração do Hemisfério Ocidental".

"Gostaria de realçar que 6,4 milhões de pessoas, mais de metade da população de cerca de 11,9 a 12 milhões, necessitam de assistência humanitária. Além disso, 5,7 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar aguda no Haiti", disse. 

"As famílias estão a deixar de fazer refeições, as crianças estão a abandonar a escola para ajudar em casa e as escolas estão ocupadas por deslocados internos. Essa é a perspetiva geral", indicou a representante da ONU, apelando a um maior financiamento humanitário para o Haiti.

O Haiti é considerado um dos países mais pobres da América Latina e atualmente vive uma grave crise social, política, económica e, sobretudo, de segurança, nomeadamente devido à ação de gangues criminosos.

O país registou pelo menos 5.519 mortes por atos violentos perpetrados por grupos armados, forças de segurança e grupos de autodefesa entre 01 de março de 2025 e 15 de janeiro, de acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Está já no país uma missão multinacional, apoiada pelas Nações Unidas, para fortalecer a polícia local nas operações contra os grupos que há anos cometem assassínios, violações, pilhagens e raptos no Haiti, o país mais pobre das Américas.

"É uma crise de proteção cada vez mais profunda, marcada pela insegurança, violência implacável, deslocações maciças e níveis chocantes de violência de género", afirmou hoje Edem Wosornu, calculando o número de deslocados em 1,45 milhões, 12% da população.  

"Representam famílias desenraizadas, famílias deslocadas, crianças separadas, muitas que perderam as suas casas, tudo o que conheciam", lamentou.

No início deste mês, o Estado-Maior das Forças Armadas do Haiti decidiu ativar a `Condição D`, o nível máximo de alerta militar, em plena escalada de violência no país.

Os grupos armados continuam a cometer sequestros para obter resgates, extorsão e destruição de propriedade, dificultando o acesso a serviços essenciais como saúde e educação, e agravando a insegurança alimentar e as dificuldades económicas.

Os haitianos são muito claros: "não querem esmolas, querem reconstruir as suas vidas, querem que as deslocações parem", frisou Wosornu.

O agravamento da crise penalizado particularmente mulheres e meninas, sublinhou, contando o caso de uma rapariga de 16 anos com um filho de três meses no colo.

"Era uma criança a segurar outra criança, a segurar um bebé, e ela disse-me: `Fui deslocada. Não sei onde estão os meus pais. Não sei onde estão os meus irmãos`. Um homem disse que ia cuidar dela, mas acabou a abusar dela e deixou-a grávida", relatou a representante da ONU.

No ano passado, segundo as Nações Unidas, foram registadas 8.100 sobreviventes de violência de género, um aumento de 25% em relação ao ano anterior, e metade dos casos reportados envolvia violação sexual.

"Há muitas mulheres nas multidões, nos locais, com esse trauma estampado no rosto", disse Wosornu, observando que uma em cada seis sobreviventes tem menos de 18 anos e apenas 30% receberam algum tipo de assistência nas primeiras 72 horas após o ataque.

 

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