ONU considera cooperação com Liga dos Estados Árabes mais essencial do que nunca

ONU considera cooperação com Liga dos Estados Árabes mais essencial do que nunca

A cooperação entre a ONU e a Liga dos Estados Árabes, numa região assolada por vários conflitos, é agora mais essencial do que nunca, considerou hoje o subsecretário-geral das Nações Unidas para o Médio Oriente. 

Lusa /

Numa reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU sobre a cooperação entre as Nações Unidas e a Liga dos Estados Árabes (LEA), Khaled Khiari afirmou que essa estreita colaboração continua a ser vital, quer para apoiar a recuperação de Gaza, quer para manter a atenção regional e internacional nos desafios políticos, humanitários e de proteção em todo o Território Palestiniano Ocupado.

"Esta cooperação é especialmente importante numa altura em que o Médio Oriente enfrenta múltiplas crises sobrepostas", declarou o subsecretário-geral.

Khiari chamou igualmente a atenção para a gravidade da situação no Líbano, que se viu envolvido na guerra entre Washington e Telavive contra o Irão após o movimento pró-Teerão Hezbollah ter atacado Israel.

 O representante da ONU salientou a importância do apoio da LEA ao exercício da autoridade exclusiva do Estado em todo o território libanês.

A LEA está a trabalha igualmente para apoiar a recuperação e a transição política na Síria, ultrapassar o impasse na Líbia, pôr fim aos combates no Sudão e promover um diálogo inclusivo na Somália.

"Em todos os casos, a parceria entre as nossas duas organizações fortalece o envolvimento político, reforça a diplomacia coletiva e apoia respostas mais coerentes aos conflitos, às necessidades humanitárias e à recuperação", afirmou Khiari.

Por sua vez, o secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Ahmed Aboul Gheit, defendeu que o Conselho de Segurança da ONU deve ser um "verdadeiro e natural refúgio" para os países que enfrentam ameaças à sua soberania.

A cooperação com o Conselho de Segurança "não é uma opção, mas uma necessidade estratégica, ditada pela natureza interligada das ameaças que a região árabe enfrenta", observou.

Os ataques do Irão contra os Estados do Golfo, a Jordânia e o Iraque não podem ser justificados sob qualquer pretexto, "tanto mais que os Estados árabes têm mantido uma política de boa vizinhança", defendeu Gheit.

Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão.

A guerra provocou mais de três mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano.

Em reação aos ataques norte-americanos e israelitas, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz - uma via marítima fundamental para o mercado petrolífero -- e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

A atual situação provocou um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.

Nesse sentido, o secretário-geral da LEA frisou que o encerramento do Estreito de Ormuz está a obstruir a navegação internacional, manifestando apoio à iniciativa do Bahrein de procurar uma resolução do Conselho de Segurança sobre o assunto, e que deverá ser votada na sexta-feira.

A Liga tem tentado repetidamente confrontar as tentativas do Irão de obstruir a livre passagem pelo Estreito, disse, lamentando que os seus repetidos avisos não tenham sido atendidos.

Sobre a situação no Sudão, disse que a LEA mantém um papel ativo no apoio aos esforços de paz e, reafirmando o apoio à integridade territorial da Somália, condenou o reconhecimento unilateral sem precedentes, por parte de Israel, da chamada "região da Somalilândia".

Não existem soluções militares para as crises da região, afirmou Ahmed Aboul Gheit, apelando a soluções políticas sustentáveis.

A reunião de hoje foi presidida pelo ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, que apresentou mais detalhes sobre a resolução que o seu país levará a votos, na sexta-feira, no Conselho de Segurança.

"O objetivo é proteger uma das rotas marítimas mais vitais para o comércio e a segurança", assumiu, manifestando esperança de que o texto seja adotado por unanimidade.

O Bahrein detém em abril a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, durante a qual dará destaque à guerra no Médio Oriente, à situação no estreito de Ormuz e à cooperação da organização com outros organismos regionais.

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