ONU critica tribunal brasileiro que absolveu acusado de violação de criança de 12 anos

ONU critica tribunal brasileiro que absolveu acusado de violação de criança de 12 anos

A ONU vê com profunda preocupação a recente decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), no Brasil, que absolveu um homem de 35 anos acusado da violação de uma menina de 12 anos.

Lusa /
Reuters

Em comunicado conjunto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a ONU Mulheres manifestaram "profunda preocupação" com a decisão judicial deste caso.

"O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Constituição Federal e os compromissos internacionais assinados pelo Brasil são indiscutíveis", lê-se na nota que refere que qualquer relação sexual com menores de 14 anos é violação de vulnerável e "não importa a situação, nem o aval da família, nem um suposto consentimento".

Segundo as agências da ONU, "as crianças ou adolescentes abaixo dos 14 anos não têm o desenvolvimento cognitivo, emocional ou físico, nem a possibilidade, pela lei, de consentir. E abaixo dos 16 anos, não podem casar ou realizar qualquer ato da vida civil".

"Ou seja: criança nunca é esposa. É vítima", lê-se no comunicado, que alerta para o facto de que sofrer violência sexual e ser sujeita a casamento precoce "deixa marcas profundas, afetando o desenvolvimento de meninas (e meninos) pelo resto da vida".

As agências da Nações Unidas referem que, "infelizmente", este não se trata de um caso isolado e adiantam que o Brasil tem altas taxas de casamento infantil e de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Segundo dados divulgados na nota, só entre 2021 e 2023, foram registados mais de 164 mil casos de violação ou violação de vulnerável de zero a 19 anos, "uma violência que ocorre principalmente contra meninas, dentro de casa, e por autores conhecidos da vítima ou da família".

As agências da ONU apelam a todos os setores da sociedade e referem que "o Brasil deve fazer valer as leis e políticas voltadas à infância e à adolescência, prevenindo e dando respostas qualificadas e não `revitimizantes` a casos como esses".

É essencial, segundo a Unicef, o UNFPA e a ONU Mulheres continuar a apoiar e a capacitar os atores do Sistema de Garantia de Direitos, "incluindo os da Justiça", além de que se deve "reconhecer o papel da escola e de órgãos como os Conselhos Tutelares para identificar e denunciar casos de violência".

Para estas agências de direitos humanos, não se pode "normalizar ou relativizar" a violação de uma criança ou adolescente, "independentemente da situação".

Por último, as três agências da ONU referem que "permanecem à disposição do Governo do Brasil para ajudar a garantir que meninas e meninos crescerão livres de qualquer tipo de violência".

Em abril de 2024, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), no Brasil, denunciou um homem por violação de uma menina de 12 anos.

Segundo os órgãos de comunicação social brasileiros, a criança, que deixou de frequentar a escola, estava a morar com o homem de 35 anos com autorização da mãe, que também foi denunciada por omissão.

Segundo o jornal brasileiro Globo, "o suspeito foi preso em flagrante no dia 8 de abril de 2024" e na esquadra da polícia "admitiu que tinha relações sexuais com a vítima. A mãe dela afirmou que deixou o homem `namorar` a filha".

O homem e a mãe foram, em novembro de 2025, condenados pela 1.ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Araguari a prisão mas, segundo os media locais, recorreram e, "por maioria de votos", a 9.ª Câmara Criminal do TJMG decidiu pela absolvição de ambos.

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