ONU inclui forças israelitas e russas em relatório sobre violência sexual em conflitos

ONU inclui forças israelitas e russas em relatório sobre violência sexual em conflitos

As Nações Unidas incluíram as forças de segurança israelitas e russas no anexo do relatório anual sobre violência sexual em conflitos, indica um documento apresentado hoje pela representante especial para o tema, Pramila Patten.

Lusa /
ONU

O anexo do relatório, que identifica 77 partes consideradas responsáveis por padrões de violência sexual relacionados com conflitos, incluindo 62 atores não estatais, acrescenta as Forças Armadas e de Segurança russas e israelitas "após a constatação de padrões contínuos de violência sexual documentados pela ONU".

De acordo com o documento, ambas as partes foram notificadas no ano passado sobre a possível inclusão na lista.

A este respeito, Patten comunicou às autoridades israelitas que deviam adotar uma série de "medidas preventivas", de acordo com as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da ONU para evitar a inclusão na lista, comunicação à qual responderam por carta, rejeitando as conclusões do relatório e a possibilidade de figurarem na referida lista.

Em relação à recusa de acesso aos observadores da ONU, Patten explicou que o Governo israelita declarou que não ia conceder vistos devido ao "viés institucional" por parte dos órgãos e mecanismos da ONU.

No caso dos territórios palestinianos e de Israel, o relatório documenta casos comprovados de violência sexual em contextos de detenção, incluindo vítimas em Gaza e na Cisjordânia, e atribui os padrões de abuso às forças de segurança israelitas em vários centros de detenção, postos de controlo e instalações militares.

O documento descreve violações, agressão genital, nudez forçada, revistas corporais humilhantes e ameaças de violação.

O relatório, que reúne 9.788 casos verificados em 2025 em contexto de guerra, repressão política e detenção em todo o mundo, observa "um aumento significativo nos casos de violência sexual em comparação com o ano anterior" e alerta que os números "refletem apenas uma parte do fenómeno" devido às dificuldades de acesso em zonas de conflito.

Patten afirmou, numa conferência de imprensa, que a prevenção, a responsabilização e o apoio às vítimas devem ser reforçados, assim como a garantia de acesso humanitário e investigação independente em zonas de conflito.

O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, declarou nas redes sociais ser "ridículo que a ONU coloque uma democracia como Israel, com um forte Estado de Direito que investiga e responsabiliza os culpados, no mesmo nível de organizações terroristas como o Hamas e o Estado Islâmico, que atacam civis deliberadamente e usam a violência sexual como arma de terror".

Na quinta-feira, Danon já havia anunciado o corte de relações com o líder da ONU, António Guterres, devido à inclusão de Israel nessa "lista negra".

Da mesma forma e também nas redes sociais, o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, descreveu a inclusão de Israel ao lado de organizações como o Hamas ou o Estado Islâmico como ridícula e defendeu Telavive como "uma democracia com um sistema judicial que investiga denúncias", ao mesmo tempo que acusou a organização de "equiparar um Estado a grupos terroristas".

As Nações Unidas insistem que o relatório não constitui um processo legal, mas sim um mecanismo de monitorização baseado em informações verificadas e na avaliação de padrões de comportamento em contextos de conflito armado. 

 

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