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ONU precisa de 300 ME em 2026 mas só angariou um terço

ONU precisa de 300 ME em 2026 mas só angariou um terço

As Nações Unidas necessitam de 300 milhões de euros para o plano de resposta humanitária urgente a 1,1 milhões de moçambicanos em 2026, devido ao conflito no norte, tendo garantido menos de um terço dessa verba.

Lusa /
Carlo Allegri - Reuters

Num relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), divulgado hoje, é referido que o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária 2026 (HNRP) requer 348 milhões de dólares (302,5 milhões de euros) "para responder às necessidades humanitárias mais urgentes" às populações afetados pela insurgência armada, em 17 distritos em Cabo Delgado, dois distritos em Nampula e um em Niassa, províncias do norte.

"O plano [HNRP] tem como alvo 1,1 milhões de pessoas, das quais 919.000 são hiperpriorizadas e vivem em distritos classificados com severidade 4 na província de Cabo Delgado", lê-se no relatório.

Acrescenta que até ao final de fevereiro, ao abrigo do programa, foi já fornecido algum tipo de assistência a 314.000 pessoas da população-alvo, incluindo assistência alimentar, enquanto 73.000 menores conseguiram aceder a serviços de Educação, Nutrição e Proteção da Criança.

"Os esforços de assistência concentraram-se nos distritos com necessidades de severidade 4, onde 258.000 pessoas foram alcançadas num universo de 919.000 pessoas alvo", refere ainda.

Já os doadores internacionais contribuíram com 103,6 milhões de dólares (90 milhões de euros) para o HNRP, verbas destinadas "a programas humanitários relacionados ao conflito". Do total das verbas deste programo, 10% são implementadas diretamente pelas agências das Nações Unidas, 15% pelo Governo moçambicano e o restante por organizações não-governamentais.

"A lacuna de financiamento", descreve-se no documento, "é ainda agravada" pelos 187 milhões de dólares (162,5 milhões de euros) adicionais necessários para mitigar os efeitos das cheias da atual época das chuvas, que já mataram 300 pessoas no país, verba que visa "apoiar 620.000 pessoas afetadas pelas inundações nos distritos do sul" de Moçambique.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou dois eventos violentos nas duas últimas semanas, um envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 13 mortos, elevando para 6.515 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 09 a 22 de março, dos 2.342 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.172 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

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