Oposição israelita apresenta projetos para forçar eleições antecipadas
Vários partidos da oposição em Israel apresentaram hoje projetos de lei para dissolver o parlamento, após a força política Judaísmo Unido da Torá ter defendido eleições antecipadas devido à obstrução legislativa à isenção militar dos judeus ultraortodoxos.
O principal partido de oposição Yesh Atid (Há um Futuro), liderado por Yair Lapid, e os Democratas, do antigo oficial general Yair Golan, estão entre os partidos que apresentaram projetos de lei separados para antecipar as eleições parlamentares previstas para outubro.
Estas movimentações políticas no Knesset (parlamento) foram formalizadas depois de a fação Degel HaTorah do partido Judaísmo Unido da Torá, que apoiava a atual coligação governamental, ter anunciado que concordará com qualquer proposta de dissolução, em protesto contra a integração de estudantes yeshiva no exército israelita.
"Já não confiamos em [primeiro-ministro, Benjamin] Netanyahu. A partir de agora, faremos apenas o que for melhor para o judaísmo Haredi e para o mundo yeshiva [escolas judaicas]. Devemos dissolver o Knesset o mais rapidamente possível", declarou o líder espiritual da Degel HaTorah, rabino Dov Lando, citado pelo jornal The Times of Israel.
Este pronunciamento surgiu em reação a palavras de Netanyahu, que confirmou na semana passada que não tinha apoio parlamentar suficiente para isentar os ultraortodoxos do serviço militar.
Também o partido Agudat Yisrael, a outra fação do Judaísmo Unido da Torá, manifestou apoio à dissolução do parlamento, onde as duas forças ultraortodoxas têm apenas sete lugares num total de 120 deputados, mas que podem ser cruciais para aprovar eleições antecipadas.
A questão crucial agora é se outro partido ultraortodoxo, Shas, liderado por Aryeh Deri, se vai juntar a esta iniciativa para derrubar o Governo de Netanyahu, que já tinha perdido o apoio do Judaísmo Unido da Torá na sua coligação em julho de 2025, em protesto contra o serviço militar dos estudantes yeshiva.
O comandante das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, alertou recentemente a Comissão de Negócios Estrangeiros e Defesa do Knesset que, sem recrutamento de judeus ultraortodoxos, as autoridades militares não terão recursos para fazer face a várias frentes de conflito, que incluem o Líbano e o Irão, apesar das frágeis tréguas em vigor.
Neste contexto, o Yesh Atid, o segundo partido mais votado em 2022, a seguir ao Likud de Netanyahu, o partido de esquerda Os Democratas, e o Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa), de direita, nacionalista e laico, apresentaram hoje as respetivas propostas para que o Knesset convoque uma sessão plenária na próxima semana para debater a dissolução do parlamento e eleições antecipadas.
O Yisrael Beiteinu chegou a afirmar que o seu projeto de lei para dissolver o Knesset "visa antecipar as eleições e substituir o governo responsável pelo massacre de 07 de outubro, o maior fracasso da história do país", referindo-se aos ataques dos islamitas palestinianos do Hamas em solo israelita, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
Uma vez definida a data da sessão plenária, a dissolução do Knesset necessita de ser aprovado numa leitura preliminar e em três legislativas, após as quais se inicia um período de 90 dias para a realização de eleições gerais.
Caso todos estes pressupostos se alinhem, as eleições realizar-se-iam em agosto, dois meses antes do previsto.
Além dos processos que enfrentam por corrupção e abuso de poder na justiça, Netanyahu, mais a sua coligação do Likud com a extrema-direita, enfrenta uma concorrência fortalecida pela aliança eleitoral, anunciada no final de abril, pelo líder de oposição, Yair Lapid, e pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, um dos favoritos nas sondagens.