Orbán e Magyar já votaram numa eleição com afluência recorde nas primeiras horas
Os dois principais candidatos às eleições legislativas que decorrem hoje na Hungria, o primeiro-ministro, Viktor Orbán, e o líder da oposição, Péter Magyar, já votaram numa ida às urnas marcada por uma participação recorde nas primeiras horas.
Pouco depois das 08:00 locais (07:00 hora de Lisboa), os dois grandes rivais na corrida pelo poder votaram em Budapeste numas eleições consideradas as mais importantes desde a queda do comunismo em 1989 e que poderão marcar o fim da era de Viktor Orbán.
Segundo os primeiros dados da Comissão Eleitoral da Hungria, às 09:00 horas locais (08:00 em Lisboa), quase 17% dos mais de 8,1 milhões de cidadãos com direito a voto já tinham comparecido às mesas de voto. Até agora, a maior afluência às urnas a essa mesma hora tinha sido registada nas eleições de 2002, com 12%.
O candidato conservador e antigo militante do partido governante Fidesz, Péter Magyar, de 45 anos, dirigiu-se à secção de voto do seu bairro na capital húngara às 08:25 da manhã (07:25 em Lisboa), rodeado por dezenas de jornalistas.
"Ninguém deve ter medo. Hoje haverá uma mudança de sistema na Hungria. Milhões de húngaros farão história. Não há de quem ter medo", afirmou Magyar à imprensa após votar.
"O Estado mafioso já não tem poder sobre nenhum cidadão húngaro", afirmou o líder da oposição, numa alusão a Orbán, que governa o país da Europa Central desde 2010 com amplas maiorias absolutas que lhe permitiram alterar à sua vontade a Constituição e a lei eleitoral, entre muitas outras medidas.
Viktor Orbán garantiu, por sua vez, que felicitará Magyar se este vencer as eleições, antes de apelar ao voto no seu partido, o Fidesz, defendendo que "é a opção mais segura".
O atual primeiro-ministro, de 62 anos, assegurou que, em caso de uma "enorme vitória" de Magyar, abandonará a presidência do Fidesz, partido que cofundou em 1988 e que domina há décadas.
Questionado pela imprensa se estas seriam as suas últimas eleições em caso de uma derrota clara, Orbán respondeu: "De forma alguma, sou um homem jovem, estas não serão as minhas últimas eleições".
"É preciso respeitar a decisão do povo", acrescentou Viktor Orbán, no meio dos alertas lançados por ambos os candidatos sobre a possibilidade de fraude eleitoral nas eleições.
O partido Tisza referiu que recebeu cerca de 60 denúncias no seu `site` por alegadas irregularidades cometidas por simpatizantes do Fidesz de Orbán, enquanto o eurodeputado do Fidesz Csaba Domotor afirmou que o seu partido tem registo de 639 casos de irregularidades eleitorais e que existem 74 queixas policiais pendentes.
As sondagens de intenção de voto dão uma clara vantagem a Magyar, embora as particularidades do sistema eleitoral húngaro, reformado várias vezes desde 2011 em benefício do Fidesz, não excluam a possibilidade de uma maioria de assentos para Orbán.
Um grupo de ativistas do movimento cívico AHang (A Voz) esperava por Orbán em frente à escola onde votou com um grande cartaz em forma de cartão de embarque para um voo Budapeste-Moscovo, com partida esta noite, numa alusão às estreitas relações do primeiro-ministro com a Rússia.
Devido à importância de Orbán para o movimento populista ultraconservador, as eleições húngaras são acompanhadas com atenção, tanto pelos seus apoiantes como pelos seus críticos, entre os quais a Ucrânia e a União Europeia, com quem o líder magiar está em conflito há anos.
Tanto o presidente norte-americano, Donald Trump, como o líder russo, Vladimir Putin, apoiam Orbán, juntamente com numerosos líderes da extrema-direita europeia, como a francesa Marine Le Pen ou o espanhol Santiago Abascal, entre outros.
As mesas de voto permanecerão abertas até às 19:00 locais (18:00 em Lisboa) e os primeiros resultados relevantes são esperados para depois das 22:00 na Hungria.