Orçamentos de defesa e dissuasão dominam reunião ministerial da NATO

Orçamentos de defesa e dissuasão dominam reunião ministerial da NATO

Depois da Cimeira da NATO que trouxe Donald Trump a Bruxelas, em julho, a Aliança reúne-se agora ao nível dos ministros da Defesa para aprofundar alguns dos assuntos que fazem parte da agenda.

Andrea Neves - correspondente da Antena 1 /
Na reunião desta quinta-feira estão também em análise as relações na área da defesa entre a NATO e a União Europeia François Lenoir - Reuters

No ordem do dia, ainda e como nos últimos tempos, está a questão das comparticipações dos Estados para o orçamento da instituição. Já se sabe que todos se comprometeram a aumentar a responsabilidade financeira e os compromissos monetários relativamente à percentagem do PIB com a qual contribuem para as despesas da NATO.

Mas se o Ministro da Defesa diz que há um consenso alargado neste domínio, também garante que Portugal insiste na necessidade de ir para além da questão do dinheiro e das despesas em investimento quando se quer qualificar e quantificar as contribuições de cada Estado.

Por isso Portugal vai apresentar uma proposta para que se defina, de outras formas, o valor das contribuições de cada Estado.

“Portugal está envolvido, com as suas forças nacionais destacadas no quadro da NATO, no Afeganistão mas também em outros tratos operacionais muito exigentes como a República Centro Africana e consideramos que essa dimensão relativa à qualidade do nosso empenhamento deve ser avaliada”.

Azeredo Lopes quer que estes critérios sejam tomados em consideração. “Não estamos a dizer que somos melhores ou piores do que os outros, mas se se fala da despesa em investimento e das contribuições é justo que este critério seja tomado em consideração”, acrescenta o ministro da Defesa.

Na reunião desta quinta-feira estão ainda em análise as relações na área da defesa entre a NATO e a União Europeia. Portugal considera que é importante definir questões como a da mobilidade militar, “uma área fundamental que vai muito para além de autorizações diplomáticas ou administrativas”, refere Azeredo Lopes
Preocupação com sistema de mísseis russo

Os ministros da Defesa da NATO discutem ainda esta quinta-feira a importância da prevenção e dissuasão de conflitos, numa altura em que a Rússia e os Estados Unidos voltam a trocar acusações. De Moscovo surgiram informações que apontam para a possibilidade de a Rússia estar a preparar um sistema de mísseis com capacidade para atingir qualquer ponto na Europa e do continente americano e o secretário-geral da NATO acusou o Kremlin de estar a violar tratados internacionais, em especial o que se refere a misseis de alcance intermédio assinado em 1987.

“Estamos extremamente preocupados porque é muito importante garantir que a Rússia cumpre o tratado porque é uma pedra basilar da segurança europeia”, referiu Jens Stoltenberg. “Pedimos à Rússia que dê respostas transparentes e que cumpra os tratados de forma transparente porque é importante proteger este tratado”.

As informações sobre o eventual novo sistema de mísseis russo tiveram resposta pronta dos Estados Unidos. A representante norte-americana na NATO ameaçou com a destruição de todos os que se venham a detetar.

“As contra-medidas serão as de abater os mísseis que estão a ser desenvolvidos pela Rússia em violação dos tratados”, garantiu Kay Bailey Hutchison.

Afirmações que não agradaram a Moscovo, que as classificou como perigosas, mas que não impedem que a NATO queira mais informações sobre este assunto. Azeredo Lopes diz que esta questão passou ao lado da reunião, mas afirma que as escaladas verbais dos últimos tempos nunca são boas.

“Infelizmente, tem vindo a ocorrer nos últimos tempos uma escalada verbal que nunca é boa. Por isso é importante que a organização funcione como um lugar de debate e de reflexão serena a propósito de uma ameaça ou de uma questão relativa à segurança dos estados membros que deve ser encarada numa perspetiva adversarial e de dissuasão mais do que como uma qualquer escalada”.

O ministro da Defesa assinala que Portugal tem vindo a recordar que a Organização do Tratado do Atlântico Norte existe para muito mais do que apenas o flanco leste.

“Temos vindo a insistir com serenidade que é importante que a organização se concentre numa abordagem a 360 graus e não apenas num tópico como pode vir a ser a questão da Rússia”, reforçou Azeredo Lopes.
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