Osteopata francês condenado a 17 anos de prisão por violações e agressões sexuais em série
Um osteopata acusado de violações e agressões sexuais contra 29 pacientes foi hoje condenado por um tribunal em Estrasburgo, no leste da Franca, a 17 anos de prisão.
Descrito pela acusação como um "predador", o osteopata alegou ter agido com fins terapêuticos, mas não convenceu o tribunal.
Os juízes tiveram em conta, nomeadamente, o "caráter recorrente dos factos" imputados a Pierre Garitte, de 37 anos.
O homem foi acusado de violação de seis pacientes, hoje com idades compreendidas entre os 30 e os 83 anos, de agressões sexuais a 21 e, simultaneamente, de violação e agressão sexual a duas últimas pacientes.
Era acusado de, sob o pretexto de prestar cuidados, ter tocado ou penetrado as partes íntimas das pacientes sem o seu consentimento, no seu consultório em Eschau, nos subúrbios a sul de Estrasburgo.
Segundo a agência France-Presse, o homem, que se encontrava em liberdade sob supervisão judicial desde o início do seu julgamento, em 01 de junho, ficou também proibido de exercer a profissão de osteopata.
A procuradora-geral requereu a pena máxima de 20 anos, mas o tribunal teve em conta a sua "evolução" ao longo do julgamento, uma vez que "admitiu a ausência (...) de consentimento" das vítimas.
O seu advogado, Yves Sauvayre, indicou à AFP a sua intenção de interpor recurso.
O advogado considera que o seu cliente foi "condenado para servir de exemplo", num momento em que se apontam supostas falhas da justiça noutros casos idênticos.
O arguido pediu perdão às vítimas, assegurando ter sido sempre movido por uma "vontade de cuidar", mas lamentando ter causado "sofrimento ao explicar mal os seus gestos e ao ter omitido questionar a sua justificação".
"Não sou perigoso, não sou um violador", disse, em lágrimas, o osteopata, que é pai de dois filhos.
A procuradora-geral, Agnès Robine, descreveu um "comportamento de predador" que agiu em "circunstâncias particularmente detestáveis".
De acordo com a AFP, as antigas pacientes sucederam-se no banco das testemunhas, trémulas ou em lágrimas, relatando o sentimento de terem sido traídas por este profissional de saúde em quem tinham confiança.
Descreveram como `modus operandi` que o osteopata colocava a mão contra a delas e conduzia-a para as suas partes íntimas.
O julgamento foi "longo, difícil", testemunhou Déborah, citada sob um nome falso, tal como todas as mulheres que falaram perante o tribunal, para preservar o seu anonimato.
A testemunha disse que "a condenação foi justa", declarando-se satisfeita por "o que lhe aconteceu ter sido reconhecido".