Otava. Chefe da polícia demite-se após críticas sobre gestão dos protestos anti-vacinas

Otava. Chefe da polícia demite-se após críticas sobre gestão dos protestos anti-vacinas

O chefe da polícia da cidade canadiana de Otava, onde durante os últimos 19 dias centenas de pessoas têm protestado contra as vacinas e outras medidas pandémicas, demitiu-se na noite de terça-feira, depois de uma chuva de críticas sobre a sua gestão das manifestações.

RTP /
As ações de protesto estão a acontecer com maior força em Otava, mas ecoam pelo resto do país. Patrick Doyle - Reuters

“É de coração pesado que anuncio a minha demissão enquanto chefe dos Serviços Policiais de Otava”, escreveu o chefe demissionário, Peter Sloly, no Twitter.

O responsável diz ter feito “todos os possíveis para manter a cidade segura” durante os dias de protestos. “Adquirimos novas ferramentas e recursos (…) e estou confiante de que os Serviços Policiais de Otava estão agora melhor posicionados para terminar esta ocupação”, declarou.


A polícia já confirmou a demissão de Sloly, que há três décadas se juntou às forças policiais de Toronto, no Canadá, e desde 2019 comandava as autoridades de Otava.

A saída do chefe da polícia acontece depois de várias críticas sobre a sua gestão das manifestações, sendo acusado de não ter feito o suficiente para as controlar.

Alguns moradores de Otava disseram mesmo ter visto polícias a darem apertos de mão aos manifestantes e a ignorarem infrações, como a realização de aparentes festas nas ruas.

Os protestos do chamado “comboio da liberdade”, contra as vacinas e medidas de controlo da pandemia de covid-19, têm sido de tal dimensão que a cidade de Otava declarou, na semana passada, estado de emergência. No centro da cidade de Otava continuam estacionados entre 400 a 500 camiões como forma de protesto.

Há uma semana, o chefe Peter Sloly dizia à estação de rádio canadiana Newstalk 580 que estava seguro da sua resposta às manifestações e que “não tinha a menor intenção” de se demitir.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro Justin Trudeau invocou a Lei de Emergências para poder dar à polícia mais ferramentas para lidarem com os manifestantes. Na sequência da decisão, membros da Polícia Real do Canadá e da Polícia Provincial de Ontário serão mobilizadas para darem apoio.

As ações de protesto estão a acontecer com maior força em Otava, mas ecoam pelo resto do país. Na terça-feira, a Polícia Real do Canadá avançou que quatro em cada 11 participantes detidos com armas na cidade de Alberta estão acusados de conspiração para matar agentes da polícia.
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