PAIGC defende diálogo e encoraja esforços de Bacai Sanhá

PAIGC defende diálogo e encoraja esforços de Bacai Sanhá

O PAIGC defendeu hoje a necessidade de se prosseguir com o diálogo institucional e encorajou o candidato que apoiou nas eleições legislativas de 2005 a manter-se, nos encontros com o Presidente guineense, na busca de soluções para a crise.

Agência LUSA /

Num comunicado da Comissão Permanente do Bureau Político, que decorreu hoje ao longo de quase cinco horas, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) exorta Malam Bacai Sanhá a "continuar os passos que tem vindo a dar" para um futuro melhor da Guiné-Bissau.

Desde 04 de Abril, Bacai Sanhá, candidato derrotado nas presidenciais de Julho de 2005, reuniu-se já em três ocasiões com o chefe de Estado guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, com quem tem debatido soluções para a resolução da crise política, económica e social.

Por seu lado, publicamente, o PAIGC, que nunca reconheceu oficialmente a vitória de "Nino" Vieira nas presidenciais, tem-se mantido à margem dos encontros de Bacai Sanhá com o chefe de Estado que, a 28 de Outubro último, demitiu o Governo de Carlos Gomes Júnior, líder do antigo partido único.

Na sequência da exoneração, "Nino" Vieira formou um executivo com dissidentes do PAIGC, entre os quais o primeiro- ministro, Aristides Gomes, e dos partidos da Renovação Social (PRS) e Unido Social-Democrata (PUSD).

No comunicado, o PAIGC, que pela primeira vez utiliza as palavras "Senhor Presidente da República" ao referir-se a "Nino" Vieira, considera que os encontros entre o chefe de Estado e Bacai Sanhá têm sido "úteis e promissores", defendendo a manutenção de um diálogo "honesto, transparente e objectivamente útil".

O partido que este ano celebra o 50º aniversário - foi fundado a 19 de Setembro de 1956 - reafirma também a "inteira disponibilidade" para continuar a privilegiar o diálogo e concertação políticas para a busca de soluções para a crise.

A este propósito, o PAIGC critica o "impasse" e o "imobilismo" do Governo de Aristides Gomes na gestão do país, o que, no entender do partido, "tende a agravar a grave crise política, económica e social".

Até hoje, o PAIGC nunca se tinha pronunciado sobre as reuniões de Bacai Sanhá com "Nino" Vieira, que se iniciaram a 04 deste mês em Dacar (Senegal) e que prosseguiram há uma semana, tendo a última vez ocorrido quinta-feira.

Como pano de fundo, afirmou Bacai Sanhá, está a reconciliação nacional, objectivo que de acordo com as suas declarações feitas quinta-feira após o encontro com o Presidente guineense, passa pela união do PAIGC, profundamente dividido.

Na mesma ocasião, Bacai Sanhá admitiu como "possível" a criação de um Governo de unidade nacional, embora se saiba que também está em jogo um eventual executivo de consenso, que abarque também o próprio PAIGC, dividido entre os "dissidentes" que apoiaram "Nino" Vieira nas presidenciais e os "fiéis" ao líder Carlos Gomes Júnior.

Mas a solução dos problemas do PAIGC, indicaram à Agência Lusa fontes da presidência e do antigo partido único, passa ainda pelo fim dos desentendimentos públicos existentes entre "Nino" Vieira e Carlos Gomes Júnior, divergências acentuadas durante a pré-campanha eleitoral.

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