País é o único de 188 que não implementou Convenção sobre Armas Químicas

País é o único de 188 que não implementou Convenção sobre Armas Químicas

Cidade da Praia, 25 out (Lusa) - Cabo Verde é único dos 188 países que ratificaram a Convenção sobre Eliminação de Armas Químicas que ainda tem por designar a respetiva autoridade nacional, afirmou hoje um responsável da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

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Bernand Amoh, técnico da OPAQ que se encontra na Cidade da Praia para um "workshop" promovido pela organização com sede em Haia (Holanda), lembrou que Cabo Verde aprovou a convenção em 1993 e que a ratificou quatro anos mais tarde, mas que, até hoje, não criou a autoridade nacional prevista no tratado.

"Segundo a convenção, 30 dias após a ratificação pelo Estado signatário, há um conjunto de obrigações que devem ser cumpridas, como a criação da Autoridade Nacional e fazer uma declaração em como não tem armas químicas", salientou Amoh, frisando que as autoridades cabo-verdianas devem fazê-lo o mais rápido possível.

"Obviamente que os 30 dias há muito que passaram. Por isso, deve acontecer o mais rápido possível", destacou.

Confrontado com a situação, o Diretor Nacional de Assuntos Políticos e de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores cabo-verdiano, Fernando Whanon, sublinhou ser "muito baixo" o perigo de ter este tipo de atividades no país, mas disse que o Governo está a trabalhar nesse sentido.

O "workshop" serve para apoiar Cabo Verde no processo, acrescentou, indicando que estão presentes no evento técnicos ligados à Defesa e Segurança Nacional, bem como às Relações Exteriores.

"Queremos proteger a indústria química, para que não haja desvios de substâncias que possam servir para a construção de armas químicas, apesar de Cabo Verde não ter uma grande indústria nesse setor. O que acontece é que, em termos de programação de desenvolvimento, as armas químicas não têm sido uma prioridade exatamente pelo baixo perigo de que isso possa acontecer", sustentou Whanon.

Por seu lado, Amoh, que ministra a formação, explicou que a implementação da convenção não é, geralmente, apelativa para os países em desenvolvimento, salientando, porém, que existem outros benefícios.

"Quando mencionamos a convenção, as pessoas pensam que apenas se aplica a países que possuem armas químicas. Mas há uma presença muito forte do apoio técnico no campo da utilização pacífica de químicos e na cooperação internacional nesse sentido", sustentou.

"Por isso, capacitamos químicos e analistas e apoiamos projetos de pesquisa. Há muitas ações voltadas para os países em desenvolvimento, mas, coincidentemente, são esses países que geralmente não tem armas químicas. Por isso, o nome da convenção dificulta o envolvimento dos legisladores", acrescentou.

Hoje à tarde, está em discussão o Plano de Ação para a Implementação em Cabo Verde da Convenção, que deverá incluir a designação da nova autoridade nacional.

A autoridade nacional deverá ser o ponto de contacto com a OPAQ, cuja tutela estará a cargo do MIREX.

Entre as atribuições da Autoridade estará a recolha de dados estatísticos relativos à importação de matérias proibidas e posterior notificação.

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