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Países mais pobres instam os mais ricos a desafiar ceticismo climático de Trump
Os países em desenvolvimento estão a pedir às nações mais ricas que desafiem o presidente dos Estados Unidos e o seu ceticismo em relação às alterações climáticas, antes que seja impossível atingir o objetivo de limitar o aumento das temperaturas globais. Os países mais pobres pedem cortes rápidos nas emissões de gases com efeito de estufa e mais ajuda financeira.
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP29), realizada em novembro passado no Azerbaijão, foi considerada um fracasso.
O texto final da COP29 estabelece a meta de arrecadar 1,3 triliões de dólares (cerca de 1,247 triliões de euros) por ano até 2035 para os países em desenvolvimento, um total que incluiria a contribuição de 300 mil milhões de dólares dos países desenvolvidos e de outras fontes de financiamento (entre elas multilateral, privado, fiscal, outros países do Sul).
Para muitos países em desenvolvimento, esta promessa não é suficiente e pedem mais ajuda financeira para lidar com as consequências das alterações climáticas.
“O fracasso da COP29 em garantir financiamento suficiente para os países em desenvolvimento – os mais afetados pelos impactos climáticos – representa um grave revés”, disse Harjeet Singh ao jornal The Guardian, um ativista climático e diretor fundador da Satat Sampada Climate Foundation.
“Sem esse apoio, os seus esforços de recuperação e transições para energia renovável são severamente prejudicados, colocando em risco as metas globais de redução de emissões e exacerbando a crise climática”, acrescentou.
Ali Mohamed, presidente do grupo africano de negociadores e enviado especial do Quénia para mudanças climáticas, critica a desproporcionalidade existente e pede que os mais ricos “assumam a responsabilidade pelas suas ações”.
“A África, responsável por menos de 4% das emissões globais de gases de efeito estufa, continua desproporcionalmente afetada pelos impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas”, disse Mohamed, citado pelo Guardian.
“É inaceitável que essa devastação seja causada pela poluição de apenas alguns países do mundo, especificamente o G20, e eles devem assumir a responsabilidade pelas suas ações”, asseverou.
O "niilismo climático" de Trump
As expectativas são que a COP30, que decorrerá no Brasil, tenha um melhor desfecho do que a anterior, mas a falta de lideranças realmente empenhadas em combater as alterações climáticas entre as maiores economias está a preocupar os países mais pobres.
Donald Trump, que é conhecido pelo seu ceticismo e negacionismo em relação às alterações climáticas, retirou os EUA do acordo de Paris pouco tempo depois de ter tomado posse. E na União Europeia, a ascensão dos partidos de direita que criticam as políticas verdes também não faz prever um futuro promissor no que diz respeito ao combate às alterações climáticas.
Uma das exceções destas viradas à direita no bloco europeu é o Reino Unido, onde o primeiro-ministro, Keir Starmer, fez da mudança para uma economia de baixo carbono uma das suas principais “missões” para o governo.
Paul Bledsoe, ex-assessor climático da Casa Branca de Clinton, agora no Centro de Política Ambiental da Universidade Americana, pediu ao Reino Unido que preenchesse o vácuo de liderança global deixado pelo "niilismo climático" do presidente dos EUA.
"Dada a escassez de liderança de centro-esquerda da UE, líderes do Reino Unido como Keir Starmer e Ed Miliband [Secretário de Segurança Energética e Emissões Zero do Reino Unido] devem entrar com força no vazio, alavancando relacionamentos com nações-chave no sul global, incluindo Brasil, Índia e Quénia", instou Bledsoe, citado pelo Guardian.
"Esta deve ser a COP mais importante da Grã-Bretanha desde Glasgow", insistiu.
O texto final da COP29 estabelece a meta de arrecadar 1,3 triliões de dólares (cerca de 1,247 triliões de euros) por ano até 2035 para os países em desenvolvimento, um total que incluiria a contribuição de 300 mil milhões de dólares dos países desenvolvidos e de outras fontes de financiamento (entre elas multilateral, privado, fiscal, outros países do Sul).
Para muitos países em desenvolvimento, esta promessa não é suficiente e pedem mais ajuda financeira para lidar com as consequências das alterações climáticas.
“O fracasso da COP29 em garantir financiamento suficiente para os países em desenvolvimento – os mais afetados pelos impactos climáticos – representa um grave revés”, disse Harjeet Singh ao jornal The Guardian, um ativista climático e diretor fundador da Satat Sampada Climate Foundation.
“Sem esse apoio, os seus esforços de recuperação e transições para energia renovável são severamente prejudicados, colocando em risco as metas globais de redução de emissões e exacerbando a crise climática”, acrescentou.
Ali Mohamed, presidente do grupo africano de negociadores e enviado especial do Quénia para mudanças climáticas, critica a desproporcionalidade existente e pede que os mais ricos “assumam a responsabilidade pelas suas ações”.
“A África, responsável por menos de 4% das emissões globais de gases de efeito estufa, continua desproporcionalmente afetada pelos impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas”, disse Mohamed, citado pelo Guardian.
“É inaceitável que essa devastação seja causada pela poluição de apenas alguns países do mundo, especificamente o G20, e eles devem assumir a responsabilidade pelas suas ações”, asseverou.
O "niilismo climático" de Trump
As expectativas são que a COP30, que decorrerá no Brasil, tenha um melhor desfecho do que a anterior, mas a falta de lideranças realmente empenhadas em combater as alterações climáticas entre as maiores economias está a preocupar os países mais pobres.
Donald Trump, que é conhecido pelo seu ceticismo e negacionismo em relação às alterações climáticas, retirou os EUA do acordo de Paris pouco tempo depois de ter tomado posse. E na União Europeia, a ascensão dos partidos de direita que criticam as políticas verdes também não faz prever um futuro promissor no que diz respeito ao combate às alterações climáticas.
Uma das exceções destas viradas à direita no bloco europeu é o Reino Unido, onde o primeiro-ministro, Keir Starmer, fez da mudança para uma economia de baixo carbono uma das suas principais “missões” para o governo.
Paul Bledsoe, ex-assessor climático da Casa Branca de Clinton, agora no Centro de Política Ambiental da Universidade Americana, pediu ao Reino Unido que preenchesse o vácuo de liderança global deixado pelo "niilismo climático" do presidente dos EUA.
"Dada a escassez de liderança de centro-esquerda da UE, líderes do Reino Unido como Keir Starmer e Ed Miliband [Secretário de Segurança Energética e Emissões Zero do Reino Unido] devem entrar com força no vazio, alavancando relacionamentos com nações-chave no sul global, incluindo Brasil, Índia e Quénia", instou Bledsoe, citado pelo Guardian.
"Esta deve ser a COP mais importante da Grã-Bretanha desde Glasgow", insistiu.