Paris exorta embaixador chinês a manter "coerência com posições oficiais" de Pequim

Paris exorta embaixador chinês a manter "coerência com posições oficiais" de Pequim

O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês indicou ter exortado hoje o embaixador chinês em Paris, Lu Shaye, chamado ao Quai d`Ordsay, "a usar as suas declarações públicas de forma coerente com as posições oficiais" da China.

Lusa /

Segundo a nota, foi a chefe de gabinete de Catherine Colonna, ministra dos Negócios Estrangeiros, que recebeu Lu Shaye, a quem "sublinhou o caráter inaceitável do questionamento do respeito pela soberania, independência e integridade territorial de todos os Estados, princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, que é vinculativa para todos".

A chefe de gabinete de Colonna realçou a Lu Shaye que Pequim "reconheceu" os 15 Estados que obtiveram ou recuperaram a independência após a dissolução da União Soviética "dentro das suas atuais fronteiras".

Hoje de manhã, a China assegurou que "respeita a soberania e a integridade territorial de todos os países", após o seu embaixador em França ter questionado se os ex-Estados soviéticos têm "estatuto efetivo" perante o Direito internacional.

"A posição da China é consistente e clara: a China respeita a soberania e a integridade territorial de todos os países e adere aos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas", disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país asiático Mao Ning, numa conferência de imprensa.

"A União Soviética era um estado federal e, como tal, estava sujeita ao Direito Internacional como um todo. Isso não nega o facto de, após a sua dissolução, cada membro ter adquirido o seu estatuto de Estado soberano", acrescentou.

Hoje, o Presidente francês, Emmanuel Macron, voltou a falar do incidente.

"Penso que não cabe a um diplomata utilizar este tipo de linguagem", disse Macron à margem de uma cimeira sobre energia eólica `offshore` em Ostende, na Bélgica.

"Por isso, toda a solidariedade para com os países que foram atacados na leitura da sua história e das suas fronteiras", acrescentou.

Os comentários do embaixador chinês em Paris, Lu Shaye, geraram polémica nas redes sociais.

Através da rede social Twitter, o Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell, descreveu os comentários como "inaceitáveis" e indicou que a "UE só pode assumir que as declarações não representam a política oficial da China".

Sexta-feira, numa entrevista ao canal de televisão LCI, Lu Shaye considerou que as antigas repúblicas soviéticas, incluindo não apenas a Ucrânia, mas também, por exemplo, os países Bálticos, não são verdadeiramente independentes, ignorando as fronteiras internacionalmente reconhecidas da Europa Central e do Leste.

A própria China reconhece oficialmente estes países como Estados soberanos desde 1991.

"Estes países ex-União Soviética não têm um verdadeiro estatuto no Direito Internacional porque não há nenhum acordo internacional a materializar o seu estatuto de soberania", afirmou Lu.

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