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Paris mobiliza Europa para salvar iraniana condenada à morte

Paris mobiliza Europa para salvar iraniana condenada à morte

O Eliseu procura mobilizar os 27 para que endureçam posições face a Teerão no quadro da situação de Sakineh Mohammadi Ashtiani, iraniana de 43 anos condenada à morte por apedrejamento por adultério e cumplicidade na morte do marido. O Presidente francês, que esta semana colocou em debandada do território francês centenas de famílias ciganas, considera o comportamento das autoridades iranianas típico da Idade Média.

RTP /
Kouchner faz sublinhar que este seria um recado não apenas no âmbito do episódio que envolve agora Sakineh Ashtiani, mas para pressionar a alteração da atitude de Teerão face a todos os opositores políticos Lucas Dolega, EPA

É mais um episódio que divide o globo em dois. Uma iraniana de 43 anos foi condenada em 2006 a morrer por lapidação depois de ter sido encontrada culpada por adultério e pelo envolvimento na morte do próprio marido.

O Governo francês mostra forte empenho neste dossier, com intervenções ao mais alto nível da hierarquia. Apelos formais partiram do ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo Bernard Kouchner escrito quarta-feira à alta representante da União Europeia, Catherine Ashton, para demandar um envolvimento da Europa como um bloco.

"A condenação suscitou a revolta de todos os que na Europa não se resignam à barbárie", sublinha o governante francês. Na mensagem a Ashton, o ministro dos Negócios Estrangeiros defende que "uma carta comum de todos os Estados-membros dirigida às autoridades iranianas tornou-se necessária se queremos salvar esta jovem mulher".

Bernard Kouchner acrescenta porém que a missiva deve ter como acompanhamento uma pressão suplementar sobre o Irão, referindo-se o ministro francês ao acenar de ameaças de sanções contra o regime do mullahs: ""É necessário envolver a união em novas iniciativas para que relembrar às autoridades iranianas que, como no caso do dossier nuclear, a sua atitude de isolamento tem um custo".

Kouchner lembra todos os opositores ao regime

Kouchner faz sublinhar que este seria um recado não apenas no âmbito do episódio que envolve agora Sakineh Ashtiani, mas para pressionar a alteração da atitude de Teerão face a todos os opositores políticos "privados dos direitos mais elementares, como sejam o de manifestação, comunicação e expressão" de ideias.

De Bruxelas já houve a confirmação de que a missiva chegou às mãos de Catherine Ashton, com um assessor a acrescentar que a mensagem endereçada de Paris vai merecer uma análise atenta. Kouchner sugere que a reunião dos responsáveis pela diplomacia europeia, a 10 e 11 de Setembro, seja aproveitado pelo grupo para desenhar uma resposta da EU relativamente aos Direitos do Homem no Irão.

Manifestando forte preocupação com o desenlace deste episódio, uma petição foi lançada pela sociedade civil francesa a meio de Agosto em Paris. Trata-se de um manifesto que subscreveram artistas, políticos e intelectuais de vários países - incluindo vários prémios Nobel - para denunciar a situação.

Lisboa contra apedrejamento de Sakineh

Em Portugal, Lisboa vai juntar-se ao grupo de uma centena de cidades por todo o mundo que pretendem levar a cabo acções de condenação face à actuação das autoridades iranianas.

Lisboa aderiu à concentração organizada pelo Comité Internacional Contra as Execuções (International Committee Against Execution), com uma manifestação marcada para sábado, no Largo de Camões.

Paula Cabeçadas, uma das organizadoras, lembra que o objectivo da acção marcada para a capital portuguesa "é o fim da pena de morte em geral": "O caso desta senhora é o principal pretexto para avançarmos para esta mensagem. Estamos contra a pena de morte dela e contra a pena de morte no geral".

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