Partido conservador de Peter Magyar conquista "super maioria" no parlamento
O partido da oposição Tisza, liderado pelo conservador Péter Magyar, conseguiu mais de dois terços dos lugares no parlamento da Hungria, nas eleições de hoje, pondo fim a 16 anos de poder de Orbán, com a contagem quase completa.
O Tisza, com 96,9% dos votos apurados, conquistou 138 dos 199 lugares no parlamento, enquanto o partido no poder, o Fidesz, do nacionalista Viktor Orbán, obteve apenas 55 lugares, e o partido de extrema-direita Nossa Pátria conquistou seis mandatos.
Graças a esta maioria parlamentar, o governo de Magyar poderá reverter o sistema "iliberal" introduzido por Orbán, que alterou a Constituição, reformou várias vezes a lei eleitoral a seu favor e restringiu inúmeros direitos civis no país.
Perante estes resultados, o futuro primeiro-ministro da Hungria conseguiu com a sua retórica conservadora e anticorrupção canalizar o descontentamento húngaro e pôs fim à hegemonia de 16 anos do todo-poderoso primeiro-ministro, o ultranacionalista Viktor Orbán.
Magyar, jurista de 45 anos, praticamente desconhecido até 2024, irrompeu no panorama político do país da Europa Central com uma força tal que lidera as sondagens de opinião há mais de um ano.
A sua ascensão baseia-se tanto no seu conhecimento profundo do sistema do partido no poder, Fidesz, como num estilo de comunicação que combina acessibilidade, uma mensagem anticorrupção clara e uma imagem moderna que contrasta fortemente com a do veterano líder de 62 anos.
Magyar apresenta-se como conservador, defensor da família, da nação e do cristianismo, embora com uma clara orientação pró-europeia e mais aberto do que o ultraconservador Orbán.
A ruptura de Magyar com o partido no poder ocorreu na sequência de um escândalo ligado ao perdão concedido a um homem condenado por encobrir crimes de pedofilia.
Este episódio desencadeou despedimentos de alto nível, incluindo o da então presidente, Katalin Novák, e também o da sua ex-mulher, Judit Varga, então ministra da Justiça, de quem tem três filhos.
Após deixar o Fidesz em fevereiro de 2024, Magyar lançou o seu próprio movimento, que atraiu muitos eleitores descontentes.
Nas eleições europeias, apenas alguns meses após a sua criação, o partido conquistou quase 30% dos votos e sete lugares no Parlamento Europeu, onde se juntou ao Partido Popular Europeu (PPE).
A sua principal promessa é uma ofensiva anticorrupção que incluiria a entrada imediata da Hungria na Procuradoria Pública Europeia, com o objetivo de investigar a utilização de fundos públicos pelo governo de Orbán e recuperar recursos desviados.
Prometeu ainda desbloquear a ajuda europeia e restaurar a confiança nas instituições da UE, uma mudança em relação às políticas de confronto de Orbán.
Em contraste com os laços estreitos de Orbán com Moscovo, prometeu uma vitória "que também se fará sentir no Kremlin", aludindo às ligações do governo cessante à Rússia.