Partido de Lula tenta aproximar-se dos evangélicos e critica "uso eleitoral da fé"
O Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, liderado pelo Presidente, Lula da Silva, divulgou hoje uma carta dirigida ao eleitorado evangélico, na qual, a quatro meses das eleições, critica o "uso eleitoral da fé".
"Este compromisso não nasce do uso eleitoral da fé, pois compartilhamos do entendimento do próprio Presidente de que não se deve `tirar proveito político de uma coisa sagrada`", lê-se na carta do PT, que foi divulgada no final do IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, realizado em Brasília.
O partido reivindicou que os governos de Lula da Silva (2003-2010 e desde 2023) e de Dilma Rousseff (2011-2016), "nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica"
Apresentou ainda as linhas mestras do seu projeto de campanha e convidou as diversas correntes evangélicas, que têm crescido nas últimas décadas no Brasil, a "participar no debate público" eleitoral "com liberdade, responsabilidade, respeito e esperança".
O eleitorado evangélico, tradicionalmente conservador, defensor da família tradicional e contrário ao aborto e à legalização das drogas, tem vindo a aumentar no Brasil.
Segundo os mais recentes dados oficiais, os fiéis destes movimentos cristãos protestantes representam cerca de 30% da população do país.
O catolicismo, contudo, tem vindo a perder expressão e encontra-se atualmente em mínimos históricos, embora continue a ser a religião maioritária.
Estima-se que nas eleições de 2022 uma ampla maioria dos evangélicos tenha apoiado o então presidente Jair Bolsonaro, que perdeu nesse ano as eleições para Lula da Silva e se encontra atualmente em prisão domiciliária, após ter sido condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Para as eleições de outubro deste ano, o seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, pretende também capitalizar esses votos para derrotar Lula da Silva.
Segundo as mais recentes sondagens, ambos surgem tecnicamente empatados numa eventual segunda volta.
A carta do PT, e as críticas à utilização da fé para fins eleitorais, surgem depois de, na quinta-feira, Flávio Bolsonaro ter participado na Marcha para Jesus, evento que todos os anos reúne milhares de evangélicos em São Paulo.
O pré-candidato afirmou que o Brasil atravessa uma "guerra espiritual".
"Vamos orar pelo nosso Brasil. Esta guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do Governo deste Brasil este ano", declarou, numa alusão ao executivo de Lula da Silva.