A Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau, liderado por Nuno Nabian, decidiu hoje renunciar ao acordo de incidência parlamentar com o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Partido de Nuno Nabian renuncia a acordo parlamentar com PAIGC
A decisão consta de um comunicado emitido no final de uma reunião da comissão política daquele partido, que elegeu cinco deputados para o parlamento da Guiné-Bissau.
Apesar da decisão da comissão política, a maior parte dos deputados da APU-PDGB no parlamento, contactados pela Lusa, confirmaram que mantêm o seu apoio ao PAIGC, bem como ao Governo liderado por Aristides Gomes.
A APU-PDGB refere também que decidiu mandatar o seu presidente para assinar um acordo de incidência parlamentar com o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), segunda força política mais votada nas legislativas de 10 de março de 2019, e com o Partido de Renovação Social (PRS), terceiro partido no parlamento.
A Guiné-Bissau vive mais um momento de tensão política, depois de Umaro Sissoco Embaló, dado como vencedor das eleições presidenciais pela Comissão Nacional de Eleições, ter tomado posse há mais de uma semana como Presidente do país, quando ainda decorre um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, apresentado pela candidatura de Domingos Simões Pereira, que alega graves irregularidades no processo.
Na sequência da tomada de posse, Umaro Sissoco Embaló demitiu Aristides Gomes, que lidera o Governo que saiu das legislativas e que tem a maioria no parlamento do país, e nomeou Nuno Nabian para o cargo.
Após estas decisões, os militares guineenses ocuparam e encerraram as instituições do Estado guineense, impedindo Aristides Gomes e o seu Governo de continuar em funções.
O presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, que tinha tomado posse como Presidente interino, com base no artigo da Constituição que prevê que a segunda figura do Estado tome posse em caso de vacatura na chefia do Estado, renunciou no domingo ao cargo por razões de segurança, referindo que recebeu ameaças de morte.
Umaro Sissoco Embaló afirmou que não há nenhum golpe de Estado em curso no país e que não foi imposta nenhuma restrição aos direitos e liberdades dos cidadãos.
Mediadora da crise guineense, a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) voltou a ameaçar impor sanções a quem atente contra a ordem constitucional estabelecida na Guiné-Bissau e acusou os militares de se imiscuírem nos assuntos políticos.
As Nações Unidas, a União Europeia e a Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apelaram ao diálogo e à resolução da crise política com base no cumprimento das leis e da Constituição do país.
O Conselho de Segurança também já ameaçou impor sanções.
Na segunda-feira chega a Bissau uma missão de alto nível da CEDEAO, que inclui peritos constitucionais e de relações interinstitucionais, para tentar ajudar a resolver o contencioso eleitoral.