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Passageiro arrancado do avião em Chicago pondera processo contra a United Airlines

Passageiro arrancado do avião em Chicago pondera processo contra a United Airlines

O passageiro que foi arrastado para fora de um avião da United Airlines em Chicago pondera processar a transportadora aérea norte-americana, de acordo com o seu advogado. David Dao, um médico norte-americano de 69 anos, recusou-se a ceder o seu lugar no voo, após a companhia alegar uma prática comum no caso de “overbooking”, tendo sido removido à força por membros da segurança do aeroporto.

RTP /
Kamil Krzaczynski, Reuters

“Overbooking” é uma prática que permite às companhias vender mais bilhetes do que os lugares disponíveis. Em caso de serem necessários, os passageiros são convidados a deixar o avião e esperar por outro voo mediante contrapartidas que são negociadas.Sob o pretexto de que eram necessários quatro lugares para funcionários da United que deveriam entrar ao serviço em Louisville, no Kentucky, quatro passageiros foram convidados a sair.

Três dos passageiros sorteados aceitaram, David Dao invocou que tinha consultas com doentes no dia seguinte e que tinha por isso de voar. Face à falta de acordo, foi arrastado pelo corredor do avião.

Depois de ter sido posto fora do avião, Dao seria autorizado a regressar ao voo, com a cara ensanguentada. As imagens do incidente correram mundo e valeram uma crítica generalizada à United Airlines.

Num primeiro momento, a transportadora acusou o passageiro de ser perturbador e agressivo. No entanto, com a administração a ver as acções da United Airlines em queda, foi o próprio CEO da companhia, Oscar Munoz, a chegar-se à frente com um pedido de desculpas ao médico vietnamita-americano.

“Apresento as minhas desculpas mais sinceras ao passageiro que foi desembarcado brutalmente do avião. Ninguém deve ser tratado daquela forma”, escreveu Munoz na sua conta do Twitter. A United Airlines está a ser alvo de uma campanha de boicote, em particular na China, onde foi vista com muito maus olhos a expulsão do avião de um cidadão de origem asiática.

A United Airlines prometeu ainda que iria resolver este problema e rever a sua política de “overbooking”, uma prática que permite às companhias vender mais bilhetes do que os lugares disponíveis. Em caso de serem necessários, os passageiros são convidados a deixar o avião e esperar por outro voo.

São milhares os passageiros que têm de deixar os aviões todos os meses, mediante compromisso, mas este caso terá atingido um limite que a United Airlines não esperava, com a transportadora a ser alvo de todas as piadas, como foi o caso de um grupo de passageiros que embarcou equipado com capacetes de hóquei no gelo.


O objectivo da United de colocar um ponto final na situação deverá ser agora contrariado pela intenção do médico de levar a empresa a tribunal.

“Há muito tempo que somos maltratados pelas transportadoras aéreas, e pela United em particular”, declarou esta quinta-feira numa conferência de imprensa em Chicago o advogado de David Dao.

“Se vai haver um processo? Sim, provavelmente”, fez saber Thomas Demetrio, depois de explicar que a lei determina que um passageiro não pode ser expulso de um avião mediante o uso de força desproporcionada.David Dao terá de ser submetido a cirurgia reconstrutiva.

De acordo com o seu advogado, David Dao teve de receber tratamento no hospital. Perdeu dois dentes da frente, partiu o nariz e sofreu uma forte concussão, tendo agora de ser submetido a cirurgia reconstrutiva.

Demetrio disse aos jornalistas que o seu cliente lhe confidenciou ter-se sentido mais aterrorizado do que durante a fuga que encetou do Vietname nos anos 70. Por outro lado, acrescentou, tanto David Dao como a família do médico, lamentam não ter ainda sido contactados pela United.

Para já, Thomas Demetrio e outro advogado, Stephen Golan, submeteram a um tribunal do Illinois um pedido para obrigar a United Continental Holdings Inc e a cidade de Chicago a preservarem as imagens e outras provas relacionadas com o incidente do passado domingo.
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