Patrice Trovoada quer maioria absoluta "para recuperar rapidamente o país"

Patrice Trovoada quer maioria absoluta "para recuperar rapidamente o país"

O candidato às eleições legislativas de São Tomé e Príncipe Patrice Trovoada pediu hoje uma maioria absoluta para "intervir rapidamente para recuperar o país", mas quer "a participação de todos".

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Patrice Trovoada, que chefiou governos são-tomenses em três ocasiões, a última das quais entre 2014 e 2018, anunciou hoje à Lusa que regressará ao país este domingo, após uma ausência de quatro anos, para participar na reta final da campanha às eleições legislativas, autárquicas e regional de dia 25.

"Irei sobretudo dizer aos são-tomenses que o país tem solução, nós temos a solução. Irei apresentar as soluções para a melhoria das condições de vida e nomeadamente para combater essa miséria que está cada vez mais a alargar-se em São Tomé e Príncipe", disse.

Na última semana de campanha, a Ação Democrática Independente (ADI), partido que lidera, irá desenvolver as suas propostas e "fazer perceber aos compatriotas que é possível, é difícil".

"O país está em condições extremas e de dificuldade, que eles conhecem, vivem para dificuldade, mas vamos dizer que é possível e qual é o caminho para resolver as dificuldades", afirmou.

"Primeiro, a curto prazo, uma intervenção com vista à recuperação do país e, depois, uma perspetiva de médio e longo prazo que nós queremos consensual, porque nós queremos que, de facto, São Tomé e Príncipe cresça com a participação de todos, com a inclusão de todos, porque somos um país pequeno de fracos recursos financeiros, mas sobretudo de poucos recursos humanos", adiantou.

Patrice Trovoada tem insistido no pedido de uma maioria absoluta, condição que estabelece para liderar o próximo Governo.

"Maioria absoluta para intervir rapidamente e recuperar rapidamente o país, mas uma maioria absoluta que não deixa de ser uma maioria que quer abraçar muito mais pessoas, que quer abrir o país e que quer a participação de todos", sublinhou.

No total, dez partidos e uma coligação concorrem às eleições legislativas de São Tomé e Príncipe: Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe / Partido Social Democrata (MLSTP/PSD); Ação Democrática Independente (ADI); Basta; Movimento Democrático Força da Mudança/União Liberal (MDFM/UL); União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD); CID-STP, Movimento União para o Desenvolvimento Amplo (Muda); Partido Novo; Movimento Social Democrata/Partido Verde de São Tomé e Príncipe (MSD-PVSTP); Partido de Todos os Santomenses (PTOS) e a coligação Movimento de Cidadãos Independentes/Partido Socialista/Partido da Unidade Nacional.

Em disputa nestas eleições, em que participam pela primeira vez os eleitores na diáspora, está a escolha de 55 deputados à Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, incluindo dois que pela primeira vez serão eleitos pelos círculos eleitorais da Europa e de África.

Em outubro de 2018, a ADI - que tinha até então maioria absoluta - foi o partido mais votado, elegendo 25 deputados, seguida pelo MLSTP/PSD, que conseguiu 23 assentos.

A coligação então formada pelo Partido da Convergência Democrática (PCD, segundo maior partido da oposição), pela UDD e pelo MDFM, foi a terceira formação mais votada, obtendo cinco mandatos. O Movimento de Cidadãos Independentes de São Tomé e Príncipe/Partido Socialista (MCI/PS) ocuparam dois lugares no parlamento.

MLSTP e a coligação PCD-UDD-MDFM formaram a chamada `nova maioria` e constituíram governo, liderado por Jorge Bom Jesus. Patrice Trovoada saiu então do país, pouco depois das legislativas de outubro de 2018, alegando ausência de garantias de segurança, após a Polícia Judiciária ter detido um dos seus anteriores ministros e de outro ex-governante, Carlos Vila Nova - atual Presidente da República - ter sido impedido de viajar para Lisboa.

No dia 25, também o governo regional do Príncipe vai a votos, concorrendo a União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), liderado pelo atual presidente, Filipe Nascimento, e a coligação Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP) e MLSTP/PSD, encabeçada por Nestor Umbelina.

Os 123.302 eleitores são-tomenses são ainda chamados a escolher os presidentes das autarquias.

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