Pentágono passeia navios no Mar do Sul da China e Pequim não gosta

Pentágono passeia navios no Mar do Sul da China e Pequim não gosta

Dois navios de guerra norte-americanos passaram este domingo ao largo das Ilhas Paracel, no Mar do Sul da China, águas disputadas por vários países mas de facto sob administração da China. Pequim avisou Washington para pôr termo a estas atividades que diz ameaçarem a segurança e a soberania do país.

Paulo Alexandre Amaral - RTP /
O contratorpedeiro USS Higgins, um dos navios envolvidos neste incidente Baz Ratner - Reuters

Os navios USS Higgins e USS Antietam entraram por águas do Mar do Sul China passando ao largo das Ilhas Paracel, assim designadas pelos navegadores portugueses, que se referiam a "parcel" ou "pracel" como locais de águas rasas. Trata-se de um conjunto de ilhas como muitas outras que estão nos limites do Mar do Sul da China, uma área disputada por Vietname, Filipinas, Taiwan, Indonésia, Malásia, Brunei e China.

Pequim diz-se soberana sobre este território marítimo e construiu nos últimos anos várias ilhas artificiais nessas águas onde antes apenas despontavam porções de terra. Tomando o poder administrativo da região, impondo-se com o seu poder bélico e contra decisões judiciais de tribunais internacionais, ali instalou infraestruturas militares, várias delas com capacidade nuclear, de acordo com os serviços de informações norte-americanos.


A zona proporciona um xadrez político que tem sido jogado ao longo dos anos essencialmente por Washington e Pequim. No início do mês, os Estados Unidos chegaram a advertir Pequim sobre as consequências dessa contínua militarização da zona.

“Estamos conscientes da militarização do Mar do Sul da China levado a cabo por Pequim. Nós suscitámos junto da China as preocupações relativamente a esse dossier, alertando para as consequências a curto e longo prazo que o assunto pode acarretar” afirmou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, quando questionada acerca dos relatos da instalação de uma nova plataforma de mísseis de cruzeiro e mísseis terra-ar em três postos avançados numa das ilhas da região.

Não sendo inédita a entrada de contra-torpedeiros norte-americanos nas águas reclamadas pela China, os exercícios deste fim de semana impuseram-se contudo pelo número. Terá sido a primeira vez que os Estados Unidos usaram dois vasos de guerra nos exercícios militares que levam a cabo na região.Pequim reclama este território como seu, apesar da negativa do Tribunal Permanente de Arbitragem com sede na Haia. Um processo foi desencadeado após reclamação das Filipinas em janeiro de 2013.

Pequim não gostou e a sua reação foi imediata. Lu Kang, porta-voz do Ministério da Defesa, avisou Washington “para parar imediatamente com este tipo de acções provocantes que desafiam a soberania da China e ameaçam a segurança da China”.

Sem esconder o livro de rota que marca a sua estratégia política internacional, os Estados Unidos limitam-se a considerar que a rota traçada pelos seus vasos de guerra é apenas uma forma de dizer a Pequim que aquelas são águas internacionais e que as passagens de rotina servem unicamente para esse efeito: mantê-las abertas ao mundo.

A questão passa também pelas rotas comerciais que cruzam aquele espaço aéreo e marítimo. São milhares de milhões de dólares em mercadorias que diariamente circulam naquela zona do globo e perder o seu controlo poderia significar perdas incalculáveis para a economia americana.

Entretanto, a rota do USS Higgins e do USS Antietam pode também ser vista à luz da visita do secretário da Defesa, James Mattis, a Singapura, dentro de dias, para as Conversações de Shangri-La (Shangri-La Dialogue).

Um analista militar ouvido pela CNN referia à cadeia americana que James Mattis, um general aposentado, poderá virar-se para os seus parceiros de reunião e lembrá-los de que "a América está a proteger o direito de navegação no Mar do sul da China, como fazemos em todo o mundo".
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