PJ da Guiné-Bissau promete descoberta dos assassinos do líder do "Po di Terra"
A diretora nacional adjunta da Polícia Judiciária (PJ) da Guiné-Bissau disse hoje que "basta de homicídios de inocentes" no país e prometeu trabalhar para a descoberta dos assassinos do ativista político Vigário Luís Balanta.
Cornélia Té falava aos jornalistas, em declarações transmitidas nas redes sociais, no final de uma reunião convocada pelo primeiro-ministro guineense de transição, Ilídio Vieira Té, na presença do ministro do Interior, general Mama Saliu Embalo, e de dirigentes de várias entidades de defesa e segurança do país.
A reunião serviu para analisar o andamento das investigações ordenadas pelo primeiro-ministro para o apuramento das circunstâncias e os autores do assassínio de Vigário Balanta, líder do Movimento Revolucionário "Po di Terra", cujo corpo foi encontrado na terça-feira num lugar ermo nos subúrbios de Nhacra, a 30 quilómetros de Bissau.
"É com muita tristeza que recebemos mais esta informação da perda de vida do nosso irmão de forma bárbara (...). Basta de homicídios no país, basta de perda de vidas de inocentes no país", defendeu Cornélia Té.
A diretora nacional adjunta da PJ guineense enfatizou que a corporação "está empenhada, como sempre", na descoberta dos autores morais e materiais do que considera de "ato bárbaro", tendo para o efeito colocado todos os meios legais, técnicos e logísticos nas investigações.
Cornélia Té destacou que a ação da PJ neste caso deverá "servir de exemplo" de combate à impunidade quando os autores forem identificados e punidos conforme a lei.
A responsável adiantou que a PJ trabalha em colaboração com a Polícia de Ordem Pública (POP) e o SIS (Serviço de Informação e Segurança, `a secreta` guineense) e exortou a população a prestar quaisquer informações que possam ajudar na investigação do caso.
Cornélia Té apelou à população a "confiar no trabalho da PJ" e prometeu apresentar "resultados positivos" no final.
Vigário Luís Balanta, de 35 anos, era líder do Movimento Revolucionário "Po di Terra", uma organização da sociedade civil guineense, constituída essencialmente por jovens que se posicionaram contra o golpe de Estado protagonizado por militares, em novembro passado, e que tem exigido a publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais realizadas no mesmo mês.
As duas eleições, realizadas em simultâneo, foram declaradas nulas na sequência do golpe militar ocorrido em vésperas da publicação dos resultados provisórios.