PJ diz que investigações do caso "Lancha Voadora" são muito complexas
Cidade da Praia, 10 jan (Lusa) - O diretor da Polícia Judiciária (PJ) cabo-verdiana considera que são "complexas" as investigações ligadas à operação "Lancha Voadora", que já permitiu a detenção de nove pessoas, entre elas o ex-presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde.
Carlos Reis falava aos jornalistas no final de uma visita que o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, realizou às instalações da PJ, e argumentou que é a componente económica e financeira que obriga a uma morosa análise documental e que leva à complexidade do processo, que já conta com seis volumes e 21 anexos.
O diretor da PJ cabo-verdiana disse acreditar que 2012 vai ser um ano de "muito trabalho", que trará também "muitos resultados", quer em relação à operação "Lancha Voadora" quer a outros processos, como os ligados aos crimes económicos e financeiros, que estão a ter prioridade, a par da criminalidade violenta.
Questionado pela agência Lusa sobre a evolução do processo ligado ao desaparecimento de dois quilogramas de cocaína das instalações da própria PJ, em 2011, Carlos Reis admitiu que o produto nunca foi recuperado e que há um ex-funcionário que viu já confirmada a prisão e que outros três foram absolvidos.
Sobre a reintegração dos agentes que foram absolvidos na PJ, Carlos Reis indicou que a decisão ultrapassa a polícia científica, enquanto estrutura, pois terá de passar, primeiro, pelo Ministério da Justiça cabo-verdiano.
De todos os casos em mãos da Polícia Judiciária cabo-verdiana, o referente à "Lancha Voadora" é prioritário, assumiu Carlos Reis.
A 10 de outubro de 2011, na maior operação jamais realizada no país, que culminou mais de um ano de investigações, a PJ apreendeu na Cidade da Praia 1,5 toneladas de cocaína, em elevado estado de pureza, deteve três pessoas e confiscou ainda diverso armamento, uma elevada quantia em dinheiro e vários automóveis de alta cilindrada.
Na sequência das investigações, a 20 de dezembro, seis pessoas, entre elas o presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVCV), Veríssimo Pinto, foram detidas pela PJ, que viu, dois dias depois, o Tribunal de Comarca da Cidade da Praia confirmar a prisão preventiva aos seis suspeitos.
As investigações prosseguem.