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PM britânico alega desconhecer veto da segurança a Mandelson ao nomeá-lo embaixador nos EUA

PM britânico alega desconhecer veto da segurança a Mandelson ao nomeá-lo embaixador nos EUA

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, alegou hoje desconhecer o veto de segurança ao perfil de Peter Mandelson antes de o nomear embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, após ter sido acusado de mentir ao parlamento.

Lusa /
Tom Nicholson - Reuters

"Não fui informado de que ele não tinha recebido `luz verde` após a verificação de segurança (um pré-requisito para a sua nomeação). Nenhum ministro foi informado. Downing Street também não foi informada, o que é totalmente inaceitável", declarou Starmer num comunicado de imprensa gravado em Paris, onde se encontrava para copresidir a uma reunião internacional sobre o Estreito de Ormuz com o Presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

O Governo britânico está a tentar conter os crescentes apelos para a demissão do primeiro-ministro, depois de o diário The Guardian ter na quinta-feira revelado que o Ministério dos Negócios Estrangeiros concedeu a Peter Mandelson a autorização de segurança para o cargo de embaixador em janeiro de 2025, apesar de um parecer negativo do seu serviço de verificação de antecedentes.

Após esta revelação, o líder trabalhista despediu nessa mesma noite o responsável máximo do serviço diplomático, Olly Robbins.

"Vou comparecer perante o parlamento na segunda-feira para apresentar todos os factos com total transparência, para que o parlamento disponha de todas as informações", prometeu Keir Starmer, que afirmou "estar furioso" com a situação.

Há meses que o chefe do Governo britânico está fragilizado devido à decisão de nomear o ex-ministro trabalhista Peter Mandelson embaixador em Washington antes de o demitir, em setembro passado, acusando-o de ter "repetidamente mentido" sobre a extensão das suas ligações ao falecido criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein.

A oposição é unânime em exigir a demissão de Keir Starmer. A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, criticou na rede social X a "desonestidade deliberada" do primeiro-ministro, considerando que "é mais que tempo de ele se demitir".

O líder do Partido Liberal-Democrata, Ed Davey, afirmou que "se Keir Starmer enganou o parlamento e mentiu ao povo britânico, deve sair".

Olly Robbins, notabilizado como o negociador do `Brexit` (saída do Reino Unido da União Europeia) pelo Governo britânico, é "o bode expiatório nesta tentativa de salvar o primeiro-ministro", disse hoje o líder do partido anti-imigração Nigel Farage à rádio LBC.

Fazer declarações enganosas aos parlamentares de forma consciente é considerado muito grave na democracia parlamentar britânica.

No entanto, Starmer tem afirmado reiteradamente que desconhecia a extensão da relação do ex-ministro com o consultor financeiro norte-americano que se suicidou na prisão em 2019.

"O procedimento [para a nomeação] foi seguido", defendeu hoje o seu chefe de gabinete em declarações ao canal televisivo Sky News, argumentando que a autorização de segurança concedida a Peter Mandelson, apesar do parecer negativo do departamento responsável pela verificação dos seus antecedentes, foi uma "falha do Estado (...) totalmente inaceitável".

O descontentamento aumentou hoje, incluindo nas fileiras do Partido Trabalhista, onde alguns instam o primeiro-ministro a responder a todas as perguntas dos deputados na segunda-feira.

A comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros também manifestou a intenção de questionar Olly Robbins numa audição na terça-feira.

A trabalhar, na altura da nomeação, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, David Lammy, atual ministro da Justiça e vice-primeiro-ministro britânico, não se pronunciou publicamente sobre o caso.

Esta crise surge num mau momento para o líder trabalhista, muito impopular quase dois anos após a chegada ao poder com uma vitória esmagadora, e que se prepara para enfrentar no início de maio eleições autárquicas que se anunciam difíceis.

O caso Mandelson foi nas últimas semanas eclipsado pela guerra no Médio Oriente, depois de já em fevereiro ter levado Keir Starmer a pedir desculpa e a expressar arrependimento por ter nomeado Peter Mandelson.

O seu chefe de gabinete e o seu diretor de comunicação demitiram-se na altura.

O seu porta-voz reafirmou na quinta-feira o compromisso do Governo de divulgar os documentos relativos à nomeação de Peter Mandelson, uma primeira parte dos quais foi tornada pública em março.

Estes revelaram que Starmer tinha sido alertado para o "risco reputacional" representado pelos laços de Peter Mandelson a Jeffrey Epstein antes de o nomear.

A polícia britânica abriu uma investigação e efetuou buscas em duas residências do ex-embaixador em fevereiro, após a divulgação de novos documentos do caso Epstein, publicados no final de janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Esses documentos sugerem que Peter Mandelson pode ter transmitido ao consultor financeiro norte-americano informações passíveis de influenciar os mercados, particularmente durante o seu período como ministro do Governo de Gordon Brown, entre 2008 e 2010.

Peter Mandelson chegou a ser detido pela polícia britânica em fevereiro passado.

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