PM da Nova Zelândia sobrevive a votação sobre liderança do partido
O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, afirmou hoje que sobreviveu a uma votação sobre a liderança entre os deputados do seu próprio partido, depois de recentes quedas nas sondagens de opinião.
Perante rumores sobre uma possível destituição, a votação, realizada durante uma reunião de rotina dos parlamentares do Partido Nacional (centro-direita), decorreu em privado.
O chefe do Governo neozelandês, no entanto, compareceu posteriormente para informar os jornalistas que tinha pedido uma moção de confiança, que foi aprovada.
"Na última semana, houve uma intensa especulação dos media sobre a minha liderança", disse Luxon, acrescentando que tinha apresentado uma moção de confiança "para pôr fim a esta especulação".
O primeiro-ministro não forneceu detalhes sobre a votação, mas considerou o assunto encerrado.
"Se os meios de comunicação social quiserem continuar a focar-se em especulações e rumores, não me vou envolver", disse Luxon.
O Partido Nacional governa a Nova Zelândia numa coligação de direita desde as eleições de 2023. Luxon, um antigo executivo de uma companhia aérea que entrou para o parlamento em 2000, lidera o partido desde 2021.
A votação decorreu meses antes da próxima eleição nacional da Nova Zelândia, marcada para 07 de novembro. Recentes quedas nas sondagens levaram analistas a especular que o Partido Nacional enfrentaria uma disputa pela liderança.
Após uma reunião invulgarmente longa da bancada parlamentar em Wellington, que durou duas horas e meia, em vez da hora habitual, Luxon leu uma breve declaração sobre a votação e saiu sem responder a perguntas dos repórteres.
Embora dois primeiros-ministros recentes da Nova Zelândia --- John Key, do Partido Nacional, e Jacinda Ardern, do Partido Trabalhista --- tenham renunciado voluntariamente ao cargo, seria extremamente invulgar que os parlamentares destituíssem um primeiro-ministro em exercício.
Luxon atribuiu as notícias sobre a agitação dentro das fileiras do partido aos órgãos de imprensa, mas uma sondagem política divulgada há dias pareceu tornar inevitável uma discussão sobre a liderança.
Uma sondagem da empresa 1News-Verian sugeriu uma queda para cerca de 30% no apoio a Luxon e ao Partido Nacional numa hipotética eleição.
Os níveis de apoio na sondagem mais recente indicaram que o bloco de direita poderia ficar atrás da esquerda liderada pelo Partido Trabalhista se uma eleição fosse realizada imediatamente.
Isto num contexto marcado por sinais de fragilidade económica e de aumento do desemprego, factores que corroeram a percepção pública da liderança de Luxon.
A taxa de desemprego mais recente da Nova Zelândia situou-se nos 5,4% no quarto trimestre de 2025, de acordo com os dados oficiais, um ligeiro aumento face aos 5,3% do trimestre anterior e o nível mais elevado desde 2015.
Este aumento reflecte um mercado de trabalho em deterioração no meio de uma desaceleração económica, com aproximadamente 165 mil pessoas desempregadas num país com cerca de 5,3 milhões de habitantes, levando a um êxodo significativo de cidadãos para o estrangeiro.
Em 2025, mais de 120 mil pessoas abandonaram o país, um dos números mais elevados alguma vez registados, com um fluxo particularmente forte em direção à Austrália.
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