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"Poderá participar de forma virtual". Putin ausente da cimeira do G20 em Bali

"Poderá participar de forma virtual". Putin ausente da cimeira do G20 em Bali

O presidente russo, Vladimir Putin, não vai participar na cimeira do G20, o grupo das economias mais desenvolvidas, na ilha de Bali, na próxima semana, confirmou nas últimas horas a embaixada russa na Indonésia.

RTP /
Putin estará ausente da cimeira do G20 Mikhail Klimentyev - Reuters

"Posso confirmar que [o ministro russo dos Negócios Estrangeiros] Sergei Lavrov vai liderar a delegação russa ao G20. O programa do presidente Putin ainda está a ser elaborado, ele poderá participar de forma virtual", disse a chefe de protocolo da embaixada da Rússia na Indonésia, Yulia Tomskaya.

A Indonésia sofreu forte pressão do Ocidente para excluir a Rússia da cimeira devido à invasão da Ucrânia, mas resistiu, argumentando que o país anfitrião da cimeira devia permanecer neutro.

Há três dias, o presidente indonésio, Joko Widodo, reconheceu, pela primeira vez, que o seu homólogo russo, Vladimir Putin, deveria falhar a cimeira do G20, apesar de Moscovo manter, na altura, a questão em aberto.

Em entrevista ao jornal Financial Times, Widodo afirmou ter uma “forte sensação” de que Putin acabará por não integrar a lista de líderes que se deslocarão à ilha turística do país do Sudeste Asiático. Em março, o presidente norte-americano, Joe Biden, defendeu que a Rússia deveria ser expulsa do G20.

Putin foi convidado pessoalmente pelo presidente da Indonésia durante uma viagem à Rússia em junho passado, quando o chefe de Estado indonésio também viajou para a Ucrânia numa tentativa mal sucedida de mediar o conflito armado.

O líder indonésio falou com Putin por telefone na semana passada, numa ronda de contactos que também incluiu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, convidado para a reunião em Bali.Zelensky participa provavelmente por videoconferência
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, participará na próxima reunião do G20, mas muito provavelmente por videoconferência, revelou na terça-feira o porta-voz presidencial.

"Participará na cimeira do G20”, disse Serhii Nikiforov, citado pela rádio e televisão ucranianas, em relação à participação do chefe de Estado ucraniano no encontro do grupo das 20 economias mais desenvolvidas.

“O mais provável é que seja no formato online”, acrescentou o porta-voz.

O presidente ucraniano não fez nenhuma viagem ao estrangeiro desde que o seu homólogo russo, Vladimir Putin, ordenou o início de uma ofensiva militar contra a Ucrânia, em 24 de fevereiro.

A confirmação da participação de Zelensky na reunião do G20 surge depois de o presidente ucraniano ter avisado, na semana passada, que não participaria se Putin marcasse presença.Maratona diplomática com agenda global
O Sudeste Asiático vai acolher vários líderes mundiais a partir de sexta-feira, numa maratona diplomática com uma agenda que engloba temas como a guerra na Ucrânia, a rivalidade EUA-China, Coreia do Norte, Myanmar ou a insegurança alimentar.

A primeira etapa será na capital do Camboja, Phnom Penh, onde se realiza a cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês) e diversas reuniões bilaterais, entre sexta-feira e domingo.

Segue-se a cimeira do grupo das economias mais desenvolvidas (G20), na ilha indonésia de Bali, na terça e na quarta-feira (15 e 16), e uma reunião da APEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico), em Banguecoque, até 19.

O G20 é composto por Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, África do Sul, Reino Unido, Estados Unidos e a União Europeia.

Criado em 1999, o G20 reúne 19 países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia e Reino Unido) e a União Europeia.

A Espanha é habitualmente convidada para as reuniões do G20.

Em conjunto, o G20 representa 60 por cento da população mundial, 80 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) global e 75 por cento das exportações em todo o mundo, segundo dados da presidência indonésia do grupo.

Xi é esperado na cimeira do G20, em Bali, onde poderá ocorrer o seu primeiro encontro presencial com Biden, depois de reuniões anteriores por videoconferência.O que está em cima da mesa na cimeira da ASEAN?
Em Phnom Penh, estarão, entre outros, o secretário-geral da ONU, António Guterres, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, em representação do líder Xi Jinping.

A ASEAN, fundada em 1967, integra atualmente dez países: Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar (antiga Birmânia), Singapura, Tailândia e Vietname.

A ASEAN vai também realizar encontros bilaterais com vários parceiros, incluindo ONU, China, Japão, Canadá, Coreia do Sul e Estados Unidos, motivo para a presença de Biden em Phnom Penh no fim de semana, numa altura de crescentes tensões entre Washington e Pequim.

Um alto funcionário da Administração norte-americana citado pela AFP disse que Biden vai salientar a importância da paz na região, incluindo Taiwan, e o respeito pela “ordem internacional baseada em regras”.A crise em Taiwan e as acusações de genocídio da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur em Xinjiang agravaram as relações entre os dois países, embora Xi tenha dito, recentemente, ser necessário “encontrar formas de se darem bem”.

Pequim e Washington disputam a influência no mundo e o Sudeste Asiático tem tentado manter boas relações com ambos por serem indispensáveis para o desenvolvimento económico da região e dos seus mais de 660 milhões de habitantes.

Acabado de garantir um histórico terceiro mandato consecutivo, Xi tem recebido uma série de líderes internacionais em Pequim, incluindo o chanceler alemão, Olaf Scholz.

O receio crescente de um teste nuclear da Coreia do Norte deverá motivar encontros de Biden com o seu homólogo sul-coreano, Yoon Suk-yeol, e o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, à margem das cimeiras da ASEAN ou do G20, segundo a imprensa japonesa.


Na agenda da ASEAN estará também Myanmar (antiga Birmânia), que continua a embaraçar a ASEAN, que não conseguiu ainda negociar uma saída para a crise com o seu Estado-membro desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021.

A ASEAN e Myanmar têm-se culpado mutuamente pela falta de progresso nas conversações e a única sanção significativa, até agora, é precisamente a ausência do líder da junta militar birmanesa, Min Aung Hlaing, da cimeira de Phnom Penh, por decisão dos seus pares.

c/ agências

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