Polícia de Toronto confirma que vítimas mortais eram alvo em tiroteio em festival
A polícia de Toronto confirmou hoje que os dois homens mortos no tiroteio de sábado entre dois grupos num festival de rua na cidade canadiana eram o alvo dos disparos, prosseguindo a investigação até agora sem detenções.
O chefe da Polícia de Toronto, Myron Demkiw, confirmou que os cinco restantes feridos eram transeuntes que foram atingidos pela troca de tiros, revelou que foram recuperadas duas armas de fogo no local e apelou à colaboração de testemunhas com imagens ou outras informações relevantes.
As vítimas mortais do ataque ocorrido cerca das 20:00 locais de sábado (01:00 de domingo em Lisboa) foram identificadas como Shaquan Quashie, de 25 anos, e Cesar Vernaza, de 20, mortos.
Demkiw adiantou que os dois homens conheciam-se, embora não tenha divulgado pormenores sobre a relação entre ambos nem sobre as circunstâncias que antecederam o incidente.
O tiroteio ocorreu durante o festival Salsa on St. Clair, que atraiu cerca de 13 mil pessoas, e levou ao cancelamento do evento.
O chefe da Polícia de Toronto indicou que os investigadores continuam a analisar um elevado volume de imagens de videovigilância e depoimentos recolhidos desde o ataque, acrescentando que ainda não foram efetuadas detenções.
"Os tiroteios diminuíram mais de 26 por cento na cidade em comparação com o mesmo período do ano passado, mas quando ocorre um ataque armado num espaço público, isso abala o sentimento de segurança que os habitantes de Toronto esperam e merecem", afirmou.
Demkiw garantiu que os festivais de rua continuarão com presença policial, mas defendeu uma revisão das medidas de segurança aplicadas a este tipo de eventos.
Entre as opções em análise estão pontos de acesso controlados, revistas de segurança e um reforço do policiamento, em função da avaliação de risco e da informação disponível para cada evento.
O chefe da polícia revelou ainda que já tinha alertado anteriormente a administração municipal para a necessidade de reforçar a coordenação entre a cidade, a polícia e os organizadores de festivais.
Demkiw apontou a realização dos seis jogos do Mundial de Futebol FIFA 2026 em Toronto como um exemplo de cooperação que poderá servir de base para futuras medidas de segurança.
O responsável voltou igualmente a defender alterações legislativas para que homicídios cometidos com armas de fogo em locais públicos com grande concentração de pessoas possam ser classificados como homicídio em primeiro grau.
Segundo o chefe da polícia, entre 85 e 90 por cento das armas de fogo apreendidas em Toronto e cuja origem pode ser rastreada entram ilegalmente no Canadá provenientes dos Estados Unidos.
A presidente da Câmara de Toronto, Olivia Chow, classificou a violência registada no festival como "irresponsável e repugnante", manifestando confiança de que a polícia identificará os responsáveis.
A autarca revelou ter solicitado ao ministro federal da Segurança Pública um reforço da cooperação com as autoridades norte-americanas para travar o tráfico de armas ilegais para Toronto.
Olivia Chow assegurou que a cidade continuará a realizar festivais de rua e prometeu trabalhar com a polícia e os serviços municipais para reforçar a segurança destes eventos.