Polícia moçambicana detém três suspeitos do homicídio do bispo de Quelimane
As autoridades policiais moçambicanas detiveram três potenciais suspeitos de envolvimento no homicídio do Bispo de Quelimane, Osório Citora, na província da Zambézia, centro do país, que ficam em prisão preventiva por ordem do tribunal local, anunciou hoje a polícia.
"O Sernic [Serviço Nacional de Investigação Criminal] inclui alguns cidadãos suspeitos suspeitos, repito, potencialmente suspeitos de cometimento deste crime hediondo, havendo, por isso, até aqui três detidos", avançou o representante da direção provincial do Sernic na Zambézia, Domingos Barrone, numa conferência de imprensa, referindo-se aos resultados de um exame preliminar do homicídio, no sábado, do bispo da diocese de Quelimane.
O bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, foi assassinado a tiro na madrugada de sábado, confirmou a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).
O Sernic avançou que os suspeitos foram hoje encaminhados para primeiro interrogatório judicial, tendo sido a detenção "legalizada e os arguidos retidos sob prisão preventiva", após a perícia médico-legal que inclui audições a pessoas de "interesse operativo e outras diligências investigativas" para apurar as circunstâncias da morte, indicando que "se trata de uma morte violenta com recurso a arma de fogo".
"Apelamos a todos os que tenham informação que consideram relevantes a partilhem com o Sernic", acrescentou Domingos Barrone.
Uma fonte da polícia disse hoje à Lusa que um dos suspeitos detidos é um padre daquela paróquia.
O funeral eclesiástico oficial terá lugar na manhã de sexta-feira, 12 de junho, na Paróquia Nossa Senhora do Livramento, na Sé Catedral de Quelimane, e será presidido pelo Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís Miguel Muñoz.
A urna contendo os restos mortais de Osório Afonso será levada para Nampula, para o funeral familiar, e a sepultura do corpo, no cemitério do Clero arquidiocesano, decorrerá sábado em Nampaco.
A Igreja Católica em Moçambique condenou o assassinato do bispo, que foi classificado como um "crime gravíssimo", e apelou ao rápido esclarecimento das informações da morte pelas autoridades competentes, segundo a nota pastoral divulgada na quarta-feira pela conferência episcopal.
Ainda na quarta-feira, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, deslocou-se à Nunciatura Apostólica, em Maputo, para apresentar condolências à Igreja Católica e ao Vaticano, considerando a morte do bispo como uma perda para o país, além de reiterar o compromisso das autoridades com o esclarecimento do sucedido.
Em declarações aos jornalistas no dia do crime, o porta-voz do Sernic na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na sua residência com uma arma do tipo AK-M por homens que terão escalado um muro, tendo vandalizado a segurança eléctrica e disparado contra o bispo na "parte do peito, no coração".
Na segunda-feira, a Ordem dos Advogados de Moçambique pediu uma investigação "célere, rigorosa e transparente" sobre o assassinato.
Os antigos presidentes moçambicanos Armando Guebuza e Joaquim Chissano apelaram à rápida responsabilização dos autores de homicídio, enquanto o líder do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM, quarta força parlamentar) criticou a "violência brutal" no país.
Numa nota da Santa Sé, refere-se que o Papa Leão XIV expressou também profunda dor e apelou ao fim dos atos de violência em Moçambique.
Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, Osório Citora Afonso foi nomeado bispo da Diocese de Quelimane em julho de 2025 e, em abril deste ano, assumiu igualmente as funções de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, por nomeação do Papa Leão XIV, tornando-se uma das principais figuras da Igreja Católica moçambicana.