Poluição por resíduos de plásticos pode triplicar até 2060 em todo o planeta
Sem medidas alternativas, a produção global de plástico pode ser quase o triplo em 2060, comparativamente aos níveis atuais, alerta a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) num relatório a apresentar este mês. Mesmo com ações imediatas, este aumento é quase inevittável, dado o crescimento económico e populacional a nível global, sendo esperados maiores aumentos nas economias emergentes da África Subsariana e na Ásia.
Divulgado esta sexta-feira, o relatório indica que a produção anual de plásticos à base de combustíveis fósseis deve chegar a 1,2 mil milhões de toneladas até 2060 e os resíduos devem superar os mil milhões de toneladas.
Today, ahead of #WorldEnvironmentDay & #OECDMinisterial, the @OECD releases new #PlasticsOutlook report: Policy Scenarios to 2060 📈
— OECD Environment (@OECD_ENV) June 3, 2022
The report builds on Feb 2022 report & looks at 2060 projections in #plastic waste 🥤
More info ➡️ https://t.co/Jrym0V9ttS pic.twitter.com/NIqX06jKY5
"A poluição plástica é um dos grandes desafios ambientais do século XXI, causando danos aos ecossistemas e à saúde humana”, escreveu no relatório o chefe da OCDE, Mathias Cormann.
Desde a década de 1950, foram produzidas cerca de 8,3 mil milhões de toneladas de plástico com mais de 60 por cento a ser deitado em aterros sanitários, queimado ou despejado diretamente nos rios e oceanos.
A organização apresenta um cenário em que o desperdício poderá ser reduzido em quase 20 por cento e cortar em mais de 50 por cento a quantidade que acaba a poluir o meio ambiente, desde que haja "ação regional com um conjunto de políticas fiscais e regulatórias" sem "impacto substancial no Produto Interno Bruto [PIB] global", que baixaria 0,3 por cento em 2060.
Num outro cenário projetado pela OCDE, com "políticas mais rigorosas aplicadas globalmente", o desperdício poderia ser reduzido em um terço e quase se eliminaria a poluição ambiental com plástico. O custo seria uma redução de 0,8 por cento no PIB global.
Entre as medidas contempladas no relatório da OCDE está a imposição de taxas sobre o plástico, incluindo embalagens, incentivos à reutilização e reparação de plásticos danificados, quotas de plástico reciclado utilizado no fabrico de produtos novos e aumento das taxas de recolha de resíduos.
O relatório, que será apresentado a 21 de junho, aprofunda as conclusões de um outro divulgado em fevereiro deste ano, em que se referia que o desperdício de plástico duplicou em duas décadas.