Poluição por resíduos de plásticos pode triplicar até 2060 em todo o planeta

Poluição por resíduos de plásticos pode triplicar até 2060 em todo o planeta

Sem medidas alternativas, a produção global de plástico pode ser quase o triplo em 2060, comparativamente aos níveis atuais, alerta a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) num relatório a apresentar este mês. Mesmo com ações imediatas, este aumento é quase inevittável, dado o crescimento económico e populacional a nível global, sendo esperados maiores aumentos nas economias emergentes da África Subsariana e na Ásia.

RTP /
EPA

O novo relatório “Global Plastics Outlook: Policy Scenarios to 2060” da OCDE estima que a quantidade de resíduos plásticos produzidos mundialmente deverá quase triplicar em menos de quatro décadas. O documento refere que "sem uma ação radical para reduzir a procura, maior longevidade dos produtos e mais possibilidades de reciclagem", a poluição por plásticos aumentará ao mesmo ritmo, uma vez que metade da produção acaba em aterros e que menos de um quinto é reciclado.

Divulgado esta sexta-feira, o relatório indica que a produção anual de plásticos à base de combustíveis fósseis deve chegar a 1,2 mil milhões de toneladas até 2060 e os resíduos devem superar os mil milhões de toneladas.

Isto é, os especialistas prevêem que a quantidade de plástico que polui o meio ambiente possa duplicar para 44 milhões de toneladas por ano, com consequências severas especialmente para os meios aquáticos, onde a quantidade de poluição por plástico poderá atingir 1,14 mil milhões de toneladas em 2060 - mais do triplo das 353 milhões de toneladas verificadas em 2019.

As projeções apontam para que o consumo global de plástico aumente dos 460 milhões de toneladas em 2019 para 1.231 milhões de toneladas em 2060, um crescimento que deverá ser "mais rápido nos países em desenvolvimento e emergentes". O consumo de plástico por pessoa, adianta ainda, pode mesmo chegar a 238 quilos por ano nos 38 países-membros da OCDE e 77 quilos em países que não pertencem à organização.

E mesmo com "ações agressivas" para reduzir a produção e o desperdício, a produção de plástico quase duplicaria em menos de 40 anos. Contudo, com medidas coordenadas a nível global, pode aumentar de 12 para 40 por cento a percentagem de resíduos plásticos reciclados.
Poluição por plásticos

É cada vez maior o alarme internacional quanto à poluição por plásticos do meio ambiente e as consequências. Estima-se que os resíduos causem a morte a mais de um milhão de aves marinhas e mais de 100 mil mamíferos marinhos por ano.

"A poluição plástica é um dos grandes desafios ambientais do século XXI, causando danos aos ecossistemas e à saúde humana”, escreveu no relatório o chefe da OCDE, Mathias Cormann.

Desde a década de 1950, foram produzidas cerca de 8,3 mil milhões de toneladas de plástico com mais de 60 por cento a ser deitado em aterros sanitários, queimado ou despejado diretamente nos rios e oceanos.

Apesar do aumento de consumo e desperdício esperado, o uso de plástico reciclado também vai subir, atingindo os 17 por cento do total consumido em 2060 face aos 9 por cento de 2019. No entanto, 20 por cento do plástico deverá continuar a ser queimado e 50 por cento depositado em aterros, considera a OCDE.

A organização apresenta um cenário em que o desperdício poderá ser reduzido em quase 20 por cento e cortar em mais de 50 por cento a quantidade que acaba a poluir o meio ambiente, desde que haja "ação regional com um conjunto de políticas fiscais e regulatórias" sem "impacto substancial no Produto Interno Bruto [PIB] global", que baixaria 0,3 por cento em 2060.

Num outro cenário projetado pela OCDE, com "políticas mais rigorosas aplicadas globalmente", o desperdício poderia ser reduzido em um terço e quase se eliminaria a poluição ambiental com plástico. O custo seria uma redução de 0,8 por cento no PIB global.

“Se queremos um mundo livre de poluição plástica, de acordo com as ambições da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) temos de tomar ações muito mais rigorosas e coordenadas globalmente”, referiu ainda Cormann. “Este relatório propõe políticas concretas que podem ser implementadas ao longo do ciclo de vida dos plásticos e que podem reduzir significativamente – e até eliminar – o desperdício de plástico no meio ambiente".

Entre as medidas contempladas no relatório da OCDE está a imposição de taxas sobre o plástico, incluindo embalagens, incentivos à reutilização e reparação de plásticos danificados, quotas de plástico reciclado utilizado no fabrico de produtos novos e aumento das taxas de recolha de resíduos.

O relatório, que será apresentado a 21 de junho, aprofunda as conclusões de um outro divulgado em fevereiro deste ano, em que se referia que o desperdício de plástico duplicou em duas décadas.
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