Portugal e 15 países da coesão rejeitam cortes nas negociações orçamentais
Bruxelas, 18 jun 2026 (Lusa) -- Portugal e 15 outros Estados-membros da União Europeia (UE) que mais beneficiam da política de coesão defenderam hoje uma "posição unida" nas negociações do próximo orçamento plurianual de 2028 e 2034, rejeitando cortes nestas verbas e nas agrícolas.
À margem da reunião de dois dias do Conselho Europeu que hoje arranca em Bruxelas, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, reuniu-se com os seus homólogos de 15 países considerados como "Amigos da Coesão" -- Bulgária, Croácia, Estónia, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia, República Checa, Roménia, Eslovénia, Eslováquia, Espanha e Hungria -- para defender "uma posição unida nas negociações" sobre o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034, segundo uma nota divulgada por Roma.
Nesta ocasião, foi "reiterada a convicção partilhada de que o futuro orçamento da União deve permitir responder aos novos desafios estratégicos sem prejudicar as políticas previstas nos Tratados, começando pela política de coesão, pela Política Agrícola Comum e pela Política Comum das Pescas", de acordo com o Governo italiano.
"Os participantes sublinharam que estas políticas representam investimentos essenciais para o futuro da Europa, capazes de reforçar a coesão económica, social e territorial, a segurança alimentar, a competitividade e a resiliência das comunidades europeias", acrescentou a mesma fonte.
No encontro, foi também defendida "uma ação coordenada também ao nível político, garantindo continuidade, visibilidade e eficácia à ação do grupo em todas as fases das negociações relativas ao próximo QFP", referiu ainda o executivo italiano.
Para este grupo informal de países comunitários que trabalha em conjunto para defender a política de coesão, é urgente "reforçar a coordenação política sobre o próximo QFP da UE, numa fase crucial das negociações que definirá as prioridades estratégicas e a arquitetura do futuro orçamento europeu".
Na reunião do Conselho Europeu a decorrer hoje e sexta-feira em Bruxelas, os líderes da UE vão debater o apoio contínuo à Ucrânia numa fase de avanços no alargamento e iniciar difíceis negociações em torno do próximo orçamento de longo prazo visando um acordo este ano.
Na sexta-feira, segundo dia da reunião, as atenções estarão centradas no QFP para o período 2028-2034, considerado por diplomatas como o tema politicamente mais complexo do encontro.
Os líderes vão fazer o ponto da situação das negociações apresentado pela presidência cipriota, que neste semestre lidera o Conselho da UE, numa fase em que as posições entre os Estados-membros continuam afastadas.
Portugal chega a esta fase das negociações com uma posição reforçada, depois de Bruxelas ter reconhecido a necessidade de um ajustamento do envelope nacional, traduzido num reforço adicional de cerca de 1,6 mil milhões de euros, sobretudo na coesão.
Ainda assim, o resultado final permanece em aberto, dependendo do equilíbrio global do orçamento, incluindo o desfecho das negociações sobre as novas fontes de receita, sendo que o objetivo é alcançar um acordo interinstitucional ainda este ano.
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