Portugal entre 86 delegações que defenderam na ONU agenda de proteção dos civis

Portugal entre 86 delegações que defenderam na ONU agenda de proteção dos civis

Portugal está entre as 86 delegações que se comprometeram hoje, na ONU, com o fortalecimento da agenda de proteção aos civis num momento de fortes restrições financeiras no universo das Nações Unidas.

Lusa /

"Em tempos de conflito, reformas e restrições financeiras, proteger os civis não pode tornar-se opcional: é tanto uma obrigação legal quanto um dever moral", escreveu hoje a Missão de Portugal na ONU, na rede social X.

"Portugal juntou-se ao lançamento dos Compromissos Conjuntos e continuará a trabalhar para prevenir conflitos, fazer parcerias para a paz e proteger os civis em todos os lugares", acrescentou, referindo-se a uma declaração conjunta lida hoje, na sede da ONU, em Nova Iorque, pelo representante permanente da Suíça junto das Nações Unidas, um momento que contou também com a presença do embaixador português, Rui Vinhas.

Oitenta e seis delegações junto da ONU uniram-se hoje para reafirmar que a proteção de civis deve permanecer no centro dos esforços das Nações Unidas em matéria de paz e segurança, ajuda humanitária e direitos humanos, incluindo no Conselho de Segurança, na Assembleia-Geral e em outros fóruns relevantes.

"Num momento de necessidades crescentes, recursos cada vez mais escassos e reformas institucionais, comprometemo-nos a traduzir a vontade política em ações concretas para tornar a proteção de civis uma realidade no terreno", diz o comunicado conjunto lido pelo embaixador suíço, Frank Grutter.

Comprometeram-se em empenhar esforços que previnam a escalada de conflitos e abordem as causas da violência antes que resultem em danos para os civis, assim como em respeitar o direito internacional humanitário e dos direitos humanos, bem como o direito dos refugiados.

"Também nos empenharemos para garantir a responsabilização por todas as violações, inclusive defendendo investigações sistemáticas e o julgamento de suspeitos, o reconhecimento dos custos diretos e reparações significativas para os civis afetados", diz a nota.

Em segundo lugar, expressaram compromisso em apoiar os processos de reforma em curso nas Nações Unidas, incluindo a reestruturação institucional e medidas de eficiência em todo o sistema, "com o objetivo de fortalecer, em vez de enfraquecer, os resultados da proteção aos civis".

"Trabalharemos para garantir que quaisquer mudanças no financiamento humanitário, na coordenação e nos modelos operacionais não aumentem os riscos para os atores locais nem deixem para trás as populações vulneráveis", prometeram.

Num momento de pressão financeira e política sem precedentes sobre as Nações Unidas, os diplomatas garantiram igualmente dedicar esforços para que as reduções orçamentárias e a austeridade financeira não prejudiquem as funções de proteção e permitam a implementação adequada dos mandatos de proteção.

"Orientaremos as decisões de alocação de recursos com vista à proteção de civis. Buscaremos fornecer financiamento sustentado, flexível e direto aos atores de proteção locais e nacionais, reconhecendo que eles são os primeiros a responder e os últimos a sair", frisa o texto.

"Repetiremos isso enquanto for necessário: os civis devem ser protegidos. Não é apenas uma obrigação perante o direito internacional, mas também um dever moral", concluiu Frank Grutter.

A ONU enfrenta atualmente um grave problema financeiro e orçamental, potenciado pelos cortes de verbas decretados pelo atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Apesar da carga de trabalho da ONU aumentar anualmente, os recursos estão a diminuir em todos os setores, o que obrigou o secretário-geral, António Guterres, a fazer reduções significativas no orçamento e cortes de postos de trabalho.

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