Portugal inaugura na sexta-feira embaixada no Vietname

Portugal inaugura na sexta-feira embaixada no Vietname

Portugal inaugura na sexta-feira uma embaixada no Vietname, uma "aposta muito importante" do Governo, que pretende alargar as representações diplomáticas também às Filipinas e Malásia, disse hoje à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Lusa /

Com uma população de 100 milhões de pessoas, o Vietname tem "relações muito antigas" e uma "tradição de intercâmbio cultural" com Portugal, e é "uma economia hiperdinâmica", destacou Paulo Rangel, que falou à Lusa por telefone no final de uma visita de dois dias à Tailândia e antes de viajar para Hanói para participar na inauguração da embaixada.

A representação portuguesa será chefiada por Joaquim Moreira de Lemos, um diplomata no topo de carreira que vem da embaixada no Peru, com "reconhecida experiência" em diplomacia económica, e que já tinha estado também colocado no Extremo Oriente, segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

A abertura é também "um ato de total justiça", depois de as autoridades do Vietname terem aberto uma embaixada em Lisboa no final do ano passado, defendeu o ministro.

"Isto significa que os dois países têm uma visão recíproca sobre a importância de uma representação ao mais alto nível nas respetivas capitais, em Hanói e em Lisboa. É um passo que merece ser celebrado, que tem um grande significado político, na atualidade, mas também histórico, e isso é um tributo que nós também devemos às gerações portuguesas que criaram estes laços com o mundo inteiro", sustentou.

O Governo, afirmou Paulo Rangel, pretende ainda reabrir a embaixada portuguesa nas Filipinas, "há muito tempo encerrada" e também na Malásia.

"Isso permitiria concluir uma cobertura totalmente diferente de economias altamente dinâmicas da Ásia, de países que são países médios no contexto mundial, o que é muito importante numa altura em que falamos de multilateralismo e dos riscos que ele corre", explicou.

"Há aqui uma aposta estratégica que, no caso português, tem uma justificação histórica. Portugal tem um potencial de afirmação nestes países que não tem paralelo praticamente com mais nenhum país", salientou.

Rangel admite que a reabertura das Filipinas possa ocorrer durante a atual legislatura, bem como a já anunciada abertura de um escritório consular no Nepal, que também abriu recentemente uma embaixada em Lisboa.

"Existe uma comunidade nepalesa relevante em Portugal e nós temos obviamente que olhar também para esses sinais das dinâmicas das sociedades civis e também dos Estados que querem ter relações diplomáticas", referiu.

Segundo o chefe da diplomacia portuguesa, a aposta numa rede "muito mais intensa" nesta região do globo também está relacionada com "uma dinâmica de futuro" no sentido de "uma ligação cada vez maior" entre a União Europeia e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a que aderiu recentemente Timor-Leste, um "passo muito importante".

Na deslocação ao Vietname, na sexta-feira, o ministro será recebido também pelo homólogo, Lê Hoài Trung, e pelo primeiro-ministro, Pham Minh Chình, estando ainda previsto um "programa cultural intenso".

No périplo pela Ásia, Paulo Rangel realizou na terça-feira uma visita ao Sri Lanka, "onde a presença portuguesa é evidente".

O chefe da diplomacia foi recebido pela primeira-ministra, Harini Amarasuriya, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Vijitha Herath, com quem acordou "dar um novo impulso às relações", nos domínios económico, cultural ou multilateral.

Na Tailândia, que visitou entre quarta-feira e hoje, Portugal tem a representação diplomática mais antiga do Ocidente, desde 1511, recordou Rangel, que destacou "o grande interesse" de empresários tailandeses em setores portugueses como o digital e as energias renováveis, enquanto exortou as empresas portuguesas a apostar no mercado tailandês, a segunda economia da ASEAN.

"Quando se fala com os empresários ou políticos da Tailândia, há uma ligação imediata de Portugal à ideia de inovação e de startups. (...) Essa é uma marca que está claramente criada na Tailândia a nosso favor e as startups portuguesas têm que escalar para esta região e em particular para este mercado que é profundamente atrativo", considerou.

Em termos de contactos políticos, Rangel reuniu-se com o homólogo, Sihasak Phuangketkeow, e proferiu uma palestra no MNE tailandês sobre a perspetiva global de Portugal e a defesa do multilateralismo, além de se ter encontrado com representantes da comunidade portuguesa em Banguecoque.

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