Portugal surge como quinto país com mais mortes por acidentes rodoviários

Portugal surge como quinto país com mais mortes por acidentes rodoviários

Número de mortes nas estradas da União Europeia diminuiu 3% em 2025.

Andrea Neves, Correspondente da Antena 1 em Bruxelas /

A Comissão Europeia divulgou esta terça-feira os dados preliminares sobre o número de vítimas mortais em acidentes de viação no ano passado. Registaram-se 19.400 mortes em toda a União Europeia.

Este número representa uma diminuição de 3% em relação aos números de 2024. Menos 580 pessoas perderam a vida nas estradas europeias o que, tendo em conta o aumento do número de veículos em circulação na UE e dos quilómetros percorridos, mostra um resultado significativo.

Mas os dados agora divulgados representam também a necessidade de esforços sustentados a todos os níveis, uma vez que a maioria dos Estados-Membros ainda não está no caminho certo para atingir o objetivo de reduzir para metade as mortes e os feridos graves nas estradas até 2030.

A comissão europeia estima que por cada vítima mortal, cinco pessoas ficam gravemente feridas. Isto significa que cerca de 100 mil pessoas em toda a UE sofrem ferimentos graves em acidentes rodoviários por ano.

Os progressos em matéria de segurança rodoviária variam consideravelmente de país para país.

Portugal destaca-se com uma redução de 5% em 2025 face a 2024, e de 14% em relação a 2019, o que representa uma melhoria de 11% comparativamente à média do período 2017–2019.

Os números apontam para 55 mortos por milhão de habitantes em 2025. Apontavam para 58 em 2024. Mesmo assim Portugal surge como o quinto país com mais mortes em acidente rodoviários por milhão de habitantes, acima da média europeia (que é de 45 mortes por milhão de habitantes). Em 2024 era o sexto país com mais mortes por milhão de habitantes.

Recorde-se que os dados disponíveis para 2024 mostram que as estradas rurais continuavam a ser as mais perigosas, com 53% das mortes na estrada a ocorrerem nestas vias, em comparação com 38% nas zonas urbanas e 8% nas autoestradas.

Dentro das áreas urbanas, os utilizadores mais vulneráveis das vias (peões, ciclistas e utilizadores de veículos motorizados de duas rodas e dispositivos de mobilidade pessoal) representam 70% do total de mortes no trânsito.

As mortes em áreas urbanas ocorrem predominantemente quando um acidente envolve automóveis e camiões.

No geral, há mais mortes na estrada entre os homens (77%) do que entre as mulheres (23%). Uma preocupação crescente é a participação desproporcionalmente elevada de jovens (18-24 anos) e idosos (com mais de 65 anos) nas mortes no trânsito – especialmente entre peões e ciclistas.

Também em 2024 era possível constatar que os condutores e passageiros de automóveis representaram 44% de todas as mortes, enquanto os utilizadores de veículos motorizados de duas rodas (motociclos e ciclomotores) representaram 21%, os peões 18% e os ciclistas 9%.

Embora os dispositivos de mobilidade pessoal representem apenas 1% do total, o número de fatalidades envolvendo estes dispositivos (principalmente trotinetes elétricas) aumentou significativamente entre 2021 e 2024.

Recorde-se que a segurança rodoviária é uma responsabilidade partilhada entre a União Europeia e os Estados-Membros. Embora as autoridades nacionais e locais realizem a maior parte do trabalho quotidiano, a UE contribui com regras de segurança para as infraestruturas e os veículos, bem como para as provas de condução e o licenciamento.

De Bruxelas surgem também orientações para a cooperação transfronteiriça entre autoridades e os esforços de partilha de boas práticas e financiamentos para projetos de segurança rodoviária.

Os dados hoje divulgados baseiam-se em dados preliminares relativos a 2025. Os resultados definitivos serão publicados pela Comissão no outono.
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