Mundo
"Possível ligação sinistra". Morte e desaparecimento de cientistas nos EUA originam investigação federal
Entre as mortes que levantam suspeitas está a do português Nuno Loureiro, físico nuclear e professor do MIT baleado à porta da sua residência em Massachusetts.
Pelo menos dez pessoas ligadas a investigações sensíveis das áreas nuclear e aeroespacial nos Estados Unidos morreram ou desapareceram nos últimos anos, levando a Câmara dos Representantes a falar na possibilidade de uma "ligação sinistra" entre os casos. As autoridades norte-americanas estão a avaliar se os episódios estarão relacionados.
O FBI disse estar a “liderar os esforços para investigar possíveis ligações entre os cientistas desaparecidos e os que faleceram”, encontrando-se a colaborar com o Departamento de Energia, o Departamento de Defesa e com os seus parceiros das forças policiais estaduais e locais “para encontrar respostas”.
Os casos que levantam suspeitas começaram em 2023 com a morte do cientista Michael David Hicks, de 59 anos, que trabalhou no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA durante quase 25 anos. A causa da morte nunca foi divulgada, mas a família relatou problemas de saúde.
Desde então, várias outras pessoas ligadas ao mesmo laboratório morreram ou desapareceram, nomeadamente o especialista em investigação espacial Frank Maiwald, que morreu aos 61 anos, ou a engenheira aeroespacial Monica Reza, de 60 anos, que desapareceu durante uma caminhada na floresta em Los Angeles.
O português Nuno Loureiro, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi morto a tiro junto à sua casa, perto de Boston, em dezembro de 2025, por um atirador que também abriu fogo no campus da Universidade de Brown, matando dois estudantes.
O físico e cientista especializado em fusão nuclear, de 47 anos, dirigia o Centro de Ciência do Plasma e Fusão do MIT, onde se dedicava a promover o avanço das tecnologias de energia limpa e outras investigações. Os casos suspeitos incluem ainda o do astrofísico Carl Grillmair, baleado em sua casa, o do antigo membro da inteligência da Força Aérea Matthew Sullivan ou o da co-fundadora do Instituto de Ciências Exóticas do Alabama, Amy Eskridge.
Outro caso é o de William Neil McCasland, major-general reformado da Força Aérea com 68 anos que não é visto desde que saiu de casa no Novo México a 27 de fevereiro, deixando para trás o telemóvel e os óculos graduados.
McCasland esteve no centro de algumas das investigações aeroespaciais mais avançadas do Pentágono e chegou a comandar o Laboratório de Investigação da Força Aérea na Base Aérea de Wright-Patterson.
Também desaparecidos estão Melissa Casias e Anthony Chavez, que trabalhavam no Laboratório Nacional de Los Alamos, um importante centro de investigação nuclear no Novo México.“É muito improvável que isto seja uma coincidência”
O Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes, liderado pelos republicanos, anunciou na segunda-feira que irá também investigar as mortes e desaparecimentos destas pessoas, que possuíam acesso a informação científica sensível.
Segundo o comité, “levantaram-se questões sobre uma possível ligação sinistra” entre esta dezena de casos, pelo que foram solicitadas informações sobre o assunto ao FBI, ao Departamento de Defesa, ao Departamento de Energia e à NASA.
“É muito improvável que isto seja uma coincidência”, considerou o presidente do comité, James Comer, em declarações à Fox News. “O Congresso está muito preocupado com isto. O nosso comité está a tornar esta uma das nossas prioridades neste momento, porque consideramos que se trata de uma ameaça à segurança nacional”.
Já o democrata James Walkinshaw, também membro do comité, vincou que “os Estados Unidos têm milhares de cientistas e especialistas nucleares” e que “não é o tipo de programa nuclear que um adversário estrangeiro pudesse impactar ao eliminar dez indivíduos”. O Departamento de Defesa já avançou que irá responder diretamente ao comité, enquanto o Departamento de Energia remeteu as perguntas para a Casa Branca.
A NASA fez saber, por sua vez, que está a “coordenar e a cooperar com as agências relevantes”, assegurando que nenhum assunto relacionado com a agência espacial indica, neste momento, “uma ameaça à segurança nacional”.
A Casa Branca afirmou na semana passada que está também a colaborar com agências federais para investigar quaisquer possíveis ligações entre as mortes e os desaparecimentos, com o presidente Donald Trump a falar num “assunto bastante sério”.
c/ agências
O FBI disse estar a “liderar os esforços para investigar possíveis ligações entre os cientistas desaparecidos e os que faleceram”, encontrando-se a colaborar com o Departamento de Energia, o Departamento de Defesa e com os seus parceiros das forças policiais estaduais e locais “para encontrar respostas”.
Os casos que levantam suspeitas começaram em 2023 com a morte do cientista Michael David Hicks, de 59 anos, que trabalhou no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA durante quase 25 anos. A causa da morte nunca foi divulgada, mas a família relatou problemas de saúde.
Desde então, várias outras pessoas ligadas ao mesmo laboratório morreram ou desapareceram, nomeadamente o especialista em investigação espacial Frank Maiwald, que morreu aos 61 anos, ou a engenheira aeroespacial Monica Reza, de 60 anos, que desapareceu durante uma caminhada na floresta em Los Angeles.
O português Nuno Loureiro, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi morto a tiro junto à sua casa, perto de Boston, em dezembro de 2025, por um atirador que também abriu fogo no campus da Universidade de Brown, matando dois estudantes.
O físico e cientista especializado em fusão nuclear, de 47 anos, dirigia o Centro de Ciência do Plasma e Fusão do MIT, onde se dedicava a promover o avanço das tecnologias de energia limpa e outras investigações. Os casos suspeitos incluem ainda o do astrofísico Carl Grillmair, baleado em sua casa, o do antigo membro da inteligência da Força Aérea Matthew Sullivan ou o da co-fundadora do Instituto de Ciências Exóticas do Alabama, Amy Eskridge.
Outro caso é o de William Neil McCasland, major-general reformado da Força Aérea com 68 anos que não é visto desde que saiu de casa no Novo México a 27 de fevereiro, deixando para trás o telemóvel e os óculos graduados.
McCasland esteve no centro de algumas das investigações aeroespaciais mais avançadas do Pentágono e chegou a comandar o Laboratório de Investigação da Força Aérea na Base Aérea de Wright-Patterson.
Também desaparecidos estão Melissa Casias e Anthony Chavez, que trabalhavam no Laboratório Nacional de Los Alamos, um importante centro de investigação nuclear no Novo México.“É muito improvável que isto seja uma coincidência”
O Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes, liderado pelos republicanos, anunciou na segunda-feira que irá também investigar as mortes e desaparecimentos destas pessoas, que possuíam acesso a informação científica sensível.
Segundo o comité, “levantaram-se questões sobre uma possível ligação sinistra” entre esta dezena de casos, pelo que foram solicitadas informações sobre o assunto ao FBI, ao Departamento de Defesa, ao Departamento de Energia e à NASA.
“É muito improvável que isto seja uma coincidência”, considerou o presidente do comité, James Comer, em declarações à Fox News. “O Congresso está muito preocupado com isto. O nosso comité está a tornar esta uma das nossas prioridades neste momento, porque consideramos que se trata de uma ameaça à segurança nacional”.
Já o democrata James Walkinshaw, também membro do comité, vincou que “os Estados Unidos têm milhares de cientistas e especialistas nucleares” e que “não é o tipo de programa nuclear que um adversário estrangeiro pudesse impactar ao eliminar dez indivíduos”. O Departamento de Defesa já avançou que irá responder diretamente ao comité, enquanto o Departamento de Energia remeteu as perguntas para a Casa Branca.
A NASA fez saber, por sua vez, que está a “coordenar e a cooperar com as agências relevantes”, assegurando que nenhum assunto relacionado com a agência espacial indica, neste momento, “uma ameaça à segurança nacional”.
A Casa Branca afirmou na semana passada que está também a colaborar com agências federais para investigar quaisquer possíveis ligações entre as mortes e os desaparecimentos, com o presidente Donald Trump a falar num “assunto bastante sério”.
c/ agências