PR de São Tomé confirma envolvimento da sua empresa num escândalo financeiro

PR de São Tomé confirma envolvimento da sua empresa num escândalo financeiro

O presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, confirmou quinta-feira o envolvimento da CGI, a sua empresa privada, no escândalo financeiro que provocou a queda do governo de Maria das Neves.

Agência LUSA /

Numa conferência de imprensa na sua residência privada, a Quinta da Favorita, Fradique de Meneses afirmou que pretende esclarecer algumas questões de "interesse nacional", um mês depois de ter demitido a ex-primeira-ministra Maria das Neves por alegado envolvimento num escândalo financeiro no Gabinete de Gestão de Ajuda (GGA) de São Tomé e Príncipe, um fundo governamental que gere as ajudas externas ao país.

Questionado directamente sobre um alegado envolvimento seu no referido escândalo financeiro, o chefe de Estado negou categoricamente as acusações, mas confirmou que a sua empresa de comércio, gestão e importação contraiu uma dívida para com o fundo governamental.

Fradique de Menezes explicou que a dívida ronda os nove milhões de dobras (750 euros) e que foi "contraída em 1993 ou 1996 relativa a uma taxa que a empresa deveria ter pago e não pagou".

O presidente são-tomense, que lamentou os rumores que incluem o seu nome no escândalo do GGA, lembrou que, na altura, ainda não exercia as funções de presidente da República e estava, sim, na sua "vida empresarial".

"Já foi dada ordem à CGI para pagar a factura, caso se verifique que há alguma dívida", garantiu o presidente, ressalvando, no entanto, que os responsáveis do GGA não sabem onde está a factura respeitante à dívida.

Um relatório das contas do GGA, elaborado há dois meses pela Procuradoria-Geral da República, cita nomes de vários governantes são- tomenses que teriam alegadamente beneficiado, ilegalmente, de elevadas somas em dinheiro, provenientes do fundo governamental, através da emissão de facturas falsas.

Fradique de Menezes pediu às autoridades judiciais que levem o "caso GGA" até às últimas consequências e acusou "alguns dirigentes" do país de terem utilizado ilegalmente o dinheiro da GGA para fins políticos.

Controlado pelo governo através do Ministério do Comércio, o GGA é sustentado em quase 90 por cento pelo Japão, que anualmente concede 1,38 milhões de dólares para a compra de arroz.

No âmbito deste processo-crime, além do ex-director do GGA, Diógenes Moniz, há quase um mês em prisão preventiva, as autoridades judiciais interrogaram, na semana passada, o antigo ministro do Comércio Júlio Silva.

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