PR em Itália. "Terá palco europeu para apresentar a posição de Portugal", diz Poiares Maduro

PR em Itália. "Terá palco europeu para apresentar a posição de Portugal", diz Poiares Maduro

Na semana em que se assinala o Dia da Europa, António José Seguro faz a segunda deslocação oficial ao estrangeiro desde a tomada de posse, numa visita a Itália. O ex-ministro Miguel Poiares Maduro considera ser uma "oportunidade" para o chefe de Estado apresentar e afirmar a "posição portuguesa" no contexto europeu e internacional - desde logo com a visita a Florença para participar nas celebrações dos 50 anos do Instituto Universitário Europeu.

João Alexandre - RTP Antena 1 /
Lusa

“Estou bastante curioso para ouvir o discurso do presidente da República, porque esta é uma oportunidade para expor a sua visão do futuro do processo de integração europeia”, afirma, em declarações à RTP Antena 1, Miguel Poiares Maduro. 

Poiares Maduro é ex-aluno, professor e diretor no Instituto que, por estes dias, assinala meio século de vida com a presença de várias figuras da política europeia. Estará também presente, em Florença, nas cerimónias onde marcam presença figuras como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ou o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Para o antigo ministro, o contexto da visita dá ao chefe de Estado um palco com uma projeção pouco habitual. “É uma ocasião que terá responsáveis da União Europeia, chefes de Estado e líderes internacionais. Isso dá ao presidente da República um palco com muito mais alcance. Será uma oportunidade para Portugal, através da voz do seu presidente, exprimir uma posição sobre o futuro da União Europeia com uma visibilidade que não teria num contexto nacional”, afirma.

No mesmo sentido, Poiares Maduro, que apoiou a candidatura de António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, acredita que a posição apresentada em Itália - onde o presidente da República tem também previsto um encontro com o homólogo Sergio Mattarella - está alinhada com a que tem sido manifestada por Luís Montenegro.

"Seguramente que será feito de forma articulada com o Governo. Uma posição sobre aquilo que Portugal pensa quanto ao futuro da União Europeia, e a importância cada vez maior neste contexto internacional. Se alguma coisa nós aprendemos nos tempos mais recentes é que não podemos ter confiança, infelizmente, numa instituição que era parte da estabilidade europeia, como era a relação com os Estados Unidos da América", vinca o ex-ministro do PSD.
Portugal e Itália “relativamente alinhados”
Com a visita do presidente da República a acontecer num momento de reconfiguração do contexto internacional, Poiares Maduro considera ainda que Portugal e Itália não têm estado muito distantes na ação e na leitura da atualidade política.

“Portugal e Itália estão relativamente alinhados no olhar sobre a Europa e na relação com os Estados Unidos”, afirma o ex-ministro, que acrescenta: “Não são posições abertamente críticas, como as de outros países, mas também não são de simpatia automática”, explica.

Poiares Maduro assinala que a postura de algum alinhamento resulta das especificidades de cada Estado relativamente às "relações atlânticas" e às "importâncias que elas têm no quadro da política internacional", e conclui: "Penso que o próprio presidente da República tem consciência disso".
“Seguro corresponde às expectativas”, diz ex-ministro de Passos Coelho
Quanto aos primeiros meses de mandato de António José Seguro como presidente da República, Miguel Poiares Maduro faz uma avaliação positiva e destaca as tentativas de encontrar plataformas de entendimento em várias áreas.

“Tem demonstrado um grande sentido institucional, um grande sentido de moderação e, ao mesmo tempo, tem procurado inovar de forma gradual e com estabilidade num ou outro ponto. Ao nível da promoção de compromissos ou valorizando certas áreas, como o combate à corrupção e a valorização da ética na política", sublinha o ex-ministro, que aponta: "Tem correspondido àquilo que eram as minhas expectativas quando manifestei o meu apoio na segunda volta das presidenciais".

Além da deslocação a Itália, onde passa pelas cidades de Florença e Roma, António José Seguro chegou a ter prevista e aprovada pelo parlamento uma deslocação a França, mas acabou por ser adiada por impossibilidade de conciliar a agenda dos dois presidentes, António José Seguro e Emmanuel Macron.
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