Preço de "provocações" norte-coreanas é país empobrecido e isolado considera embaixador sul-coreano
Lisboa, 14 fev (Lusa) - O preço da postura "provocatória" da Coreia do Norte será um país cada vez mais isolado e empobrecido, afirmou hoje à Agência Lusa o embaixador da Coreia do Sul em Portugal, Yoo Jung-hee.
Respondendo a questões colocadas pela Lusa, o diplomata afirmou que o seu governo não deixará de "proteger o seu povo e os seus bens da ameaça de armas nucleares e mísseis norte-coreanos", indicando que a Coreia do Sul vai "acelerar o alargamento da sua capacidade militar" depois do último teste nuclear da Coreia do Norte.
Isto inclui "o posicionamento antecipado de mísseis" que podem alcançar "toda a área da Coreia do Norte", indicou Yoo Jung-Hee, referindo-se aos mísseis de cruzeiro de fabrico sul-coreano hoje divulgados num vídeo revelado pelo governo de Seul.
"É importante fazer os líderes norte-coreanos compreenderem que cada vez que atuam de maneira provocatória, a Coreia do Norte fica mais isolada da comunidade internacional e os cidadãos norte-coreanos, que quase passam fome, ficam ainda mais empobrecidos", defendeu.
Yoo Jung-hee admite que o diálogo com Pyongyang seja retomado "numa altura oportuna" mas para já, a Coreia do Sul vai "estudar todas as medidas" no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a que preside este mês, lembrando que a última resolução adotada pela organização defendia "sanções significativas" se a Coreia do Norte tivesse "novos atos provocatórios".
Isso dependerá da "vontade determinada da comunidade internacional" de reagir às "ações de desafio direto" da Coreia do Norte, cujo último teste nuclear, realizado na terça-feira, é "uma ameaça à paz e segurança na Península Coreana e Nordeste da Ásia", além de um "desafio frontal à comunidade internacional", destacou.
"Enquanto esperamos pela mudança de atitude da Coreia do Norte, como quem espera o retorno do `filho pródigo`, vai crescer a reivindicação e o pedido de respostas mais duras" contra o vizinho do norte por parte da população da Coreia do Sul, que vai vivendo "sem qualquer agitação da vida quotidiana".
Yoo Jung-hee afirmou que a bolsa de Seul, "muito sensível às circunstâncias que a rodeiam", também não deu "sinais de agitação" depois do anúncio do terceiro teste nuclear de Pyongyang.
Vivendo numa península dividida há 60 anos, os sul-coreanos estão "habituados às repetidas ameaças e provocações da Coreia do Norte", garantiu.
Além de exercícios de fogo real com mísseis e artilharia, os militares norte-coreanos fizeram hoje exercícios aéreos em conjunto com os Estados Unidos e puseram em prontidão cerca de 20 navios de guerra nas águas a leste e oeste da península, incluindo contra-torpedeiros, submarinos, navios-patrulha e lanchas de alta velocidade, segundo a agência de notícias Yonhap.