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Presidente angolano apelou ao multilateralismo para responder aos conflitos

Presidente angolano apelou ao multilateralismo para responder aos conflitos

O Presidente angolano disse hoje, em Luanda, que o sistema multilateral deve ser o mais representativo, eficaz e inclusivo, para responder aos desafios contemporâneos, privilegiando-se a diplomacia, a mediação e a prevenção para alcançar a estabilidade duradoura.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

João Lourenço falava no arranque da terceira edição da Conferência Internacional da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, que se realiza em Luanda, até sexta-feira, subordinada ao tema "Um apelo à Paz, ao Fim das Guerras e ao Respeito pelo direito Internacional".

A cerimónia de abertura contou com intervenções do presidente da comissão da União Africana, Mahmoud Youssouf, do Presidente da República Democrática do Congo (RdCongo), Félix Tshissekedi, e, por vídeo, dos chefes de Estado de Portugal, António José Seguro, de Cabo Verde, José Maria Neves, e de Timor-Leste, Ramos Horta.

Segundo João Lourenço, o mundo continua a assistir a práticas assentes na violência, no uso da força, no desrespeito pelo direito à vida e à dignidade da pessoa humana, frisando que as guerras que assolam diferentes regiões do planeta exigem contenção, responsabilidade e soluções negociadas.

"É por isso urgente que unamos os esforços para ajudar a resolver os conflitos armados ainda prevalecentes em determinados pontos do globo, nomeadamente no leste da República Democrática do Congo, no Sudão, nos países da região do Sahel, na Somália, na Ucrânia, no Mianmar, no Médio Oriente, compreendendo a Palestina, o Líbano e o Golfo Pérsico", frisou.

O chefe e Estado angolano sublinhou que esta cimeira é uma oportunidade para reforçar a solidariedade internacional, defender os princípios da Carta das Nações Unidas e assegurar o respeito pelas normas que regem as relações entre os Estados.

Para João Lourenço, este encontro deve servir como plataforma de mobilização para soluções pacíficas, reforçando o papel do multilateralismo na prevenção da violência e na promoção da reconciliação entre as nações.

"Hoje o diálogo entre as civilizações se impõe como condição essencial para a estabilidade mundial, pois a situação internacional atual se vem deteriorando. De forma preocupante continuamos a assistir a práticas assentes na violência, no uso da força, no desrespeito pelo direito à vida e à dignidade da pessoa humana", salientou.

João Lourenço manifestou ainda preocupação com o terrorismo e "o crescente uso do mercenarismo para derrubar Governos democraticamente eleitos, assim como as mudanças políticas feitas ao arrepio das normas do direito interno de cada Estado e do direito internacional".

O Presidente angolano realçou a experiência histórica de Angola na resolução de conflitos, lembrando que, para os angolanos, "a paz é uma conquista alcançada com sacrifício e consolidada ao longo dos anos através da reconciliação nacional".

"Angola é hoje um país estável e seguro, aberto ao investimento privado nacional e estrangeiro que continua a consolidar o processo democrático mediante a realização regular de eleições gerais e a garantia dos direitos e das liberdades fundamentais dos cidadãos", acrescentou.

"A nossa experiência ensina-nos que nenhum objetivo justifica a destruição e o sofrimento causados pela guerra e que a paz se constrói com diálogo inclusão e confiança", referiu.

De acordo com João Lourenço, Angola reafirma o seu compromisso e determinação em trabalhar com todos os parceiros internacionais, para construir um futuro mais seguro, mais justo e mais inclusivo para todos.

Por sua vez, o subsecretário-geral das Nações Unidas e alto representante da Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), Miguel Moratinos, realçou que a paz não é a mera ausência de guerra, mas a reconciliação, inclusão e propósito nacional partilhado.

Miguel Moratinos destacou que a história angolana ensina a lição de reconciliação e esperança, realçando o papel de mediação que Angola ocupa nas questões regionais, para a redução de conflitos e estabilidade em África.

A sessão contou com a participação de chefes de Estado e de Governo que, nas respetivas trajetórias políticas, desempenharam um papel determinante na superação de conflitos e na construção de processos de paz e de reconciliação nacional.

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