Presidente cubano minimiza impacto de sanções dos Estados Unidos
O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, minimizou o impacto das novas sanções impostas a onze altos cargos políticos e militares cubanos, que alarga as punições à congelação de ativos em território norte-americano.
"Na direção do nosso partido, Estado, Governo e das suas instituições militares, ninguém tem ativos ou propriedades a proteger sob jurisdição dos Estados Unidos. O Governo norte-americano sabe-o perfeitamente, tanto que nem sequer há provas a apresentar", escreveu na segunda-feira o Presidente nas redes sociais.
Díaz-Canel enquadrou a decisão na campanha de pressão de Washington sobre Cuba para que implemente reformas políticas e económicas, que já incluiu medidas como o bloqueio petrolífero e a ordem executiva de 01 de maio, que ampliava as sanções.
O chefe de Estado considerou que é "imoral, ilegal e criminoso" agir desta forma.
"O castigo coletivo a que estão a submeter o povo cubano é um ato de genocídio que deve ser condenado por organismos internacionais e levar à responsabilização penal dos seus promotores", afirmou.
Na sua perspetiva, "a retórica anticubana do ódio" procura "justificar a escalada" de uma "guerra económica total" contra a ilha.
"Por isso continuaremos a denunciar, da forma mais firme e enérgica, o cerco genocida que procura estrangular o nosso povo", acrescentou.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu na segunda-feira na sua lista de sanções figuras políticas relevantes de Cuba, como o presidente da Assembleia Nacional, Esteban Lazo, o secretário de Organização do Partido Comunista de Cuba, o único partido autorizado no país, Roberto Morales Ojeda, e os ministros da Justiça, Comunicações e Energia e Minas, Rosabel Gamón Verde, Mayra Arevich Marín e Vicente de la O Levy, respetivamente.
Foram igualmente sancionados vários militares de alto escalão, incluindo o vice-ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), Joaquín Quintas Solá, o chefe da Direção-Geral da Polícia Nacional Revolucionária (PNR), Eddy Manuel Sierra Arias, e o chefe da direção política do Ministério do Interior (Minint), Oscar Alejandro Callejas Valcarce.
Outros militares visados pelas sanções norte-americanas foram o responsável da contrainteligência militar, José Miguel Gómez del Vallín, o chefe do Exército Central, Raúl Villar Kessell, e o chefe do Exército Oriental, Eugenio Armando Rabilero Aguilera.
Além disso, foram designadas três entidades: a PNR, o Minint e a sua Direção de Inteligência (DI), esta última responsável pela repressão na ilha.
As sanções do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros do Tesouro norte-americano (OFAC, na sigla em inglês) implicam o bloqueio de todos os ativos e bens sob jurisdição dos Estados Unidos das pessoas ou entidades designadas, proibindo qualquer transação comercial ou financeira com elas.
Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, que Washington pressiona Cuba para abrir significativamente a economia e reformar o sistema político, aplicando novas sanções e multiplicando ameaças de intervenção militar.
Em 02 de maio, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou, durante um comício na Florida, que iria assumir o controlo de Cuba "quase imediatamente", acrescentando que tal acontecerá assim que a guerra contra o Irão terminar.
Díaz-Canel declarou em meados de abril que o seu país estava preparado para enfrentar a agressão militar dos EUA.
A defesa civil da ilha lançou recentemente um "guia familiar" com o objetivo de "proteção contra a agressão militar", de acordo com vários `sites` oficiais provinciais.