Presidente da Venezuela aumenta salário mínimo 26% e pensões 40%
A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, anunciou um aumento de 26,3% do salário mínimo na íntegra (incluindo subsídios), para 240 dólares (204,57 euros), e de 40% nas pensões de reforma.
"Devo sublinhar que se trata do aumento mais significativo dos últimos anos", afirmou Delcy Rodriguez na quinta-feira em Caracas, durante uma grande manifestação contra as sanções norte-americanas.
O salário mínimo mensal, sem as bonificações, estava há quatro anos congelado em 130 bolívares, que equivalem a 0,27 centavos de dólar (aproximadamente 0,23 euros).
Isto apesar de, segundos explicaram à Lusa fontes empresariais, no setor privado o valor do rendimento mínimo pago no último ano rondar os 260 dólares (221,65 euros) por trabalhador.
Os aumentos anunciados, precisou a governante, surgem após a assinatura de um acordo na concertação social ("Mesa para os Consensos Laborais e Sociais"), mecanismo promovido pelo executivo.
"Quero também informar que os nossos avós, os mais afetados, vão receber uma pensão [reforma] equivalente a 70 dólares [59,68 euros], o que representa um aumento de 40%", acrescentou.
O anúncio suscitou aplausos e gritos de alegria entre os milhares de manifestantes apoiantes do governo reunidos em Caracas.
Rodriguez, que tinha prometido um aumento "responsável", reconheceu, no entanto, que este que anúncio "não é suficiente".
"Ainda falta muito, e é por isso que solicitei um plano especial de atenção para os nossos avôs e avós".
Este aumento permanece, no entanto, muito abaixo dos 677 dólares que, segundo estimativas privadas, custa a cesta básica alimentar para uma família de cinco pessoas.
No primeiro trimestre, a Venezuela registou uma inflação de 71,8%.
Yugli Alvarado, 60 anos, funcionário municipal presente na manifestação pró-governo, repetiu as palavras da Presidente, considerando este aumento "responsável".
"Não é possível que concedam um aumento exorbitante para que, depois, daqui a dois ou três meses, não consigam pagá-lo".
Ao seu lado, Yeisi Romero, 44 anos, funcionária municipal, considera que se trata "de um primeiro passo antes de muitos outros que virão".
De manhã, funcionários e pensionistas reuniram-se em Caracas para exigir "um salário digno".
Carlos Salazar, líder sindical de 52 anos, notou que há dinheiro "para defender Maduro" e denunciou o significativo desvio de fundos que deveriam "ir para a classe trabalhadora, para as pensões, para que os venezuelanos sejam pagos."