Presidente das Honduras afirma que massacre em plantação "não vai ficar impune".
O Presidente das Honduras, Nasry "Tito" Asfura, expressou na quinta-feira pesar pelo massacre de pelo menos 19 pessoas numa plantação de palma africana do país, garantindo que o crime "não vai ficar impune".
"Esta noite falo-vos com dor. E antes de qualquer outra palavra, quero dirigir-me às famílias das vítimas da aldeia Rigores, em Colón. Não há palavras, nem minhas nem de ninguém (...). Isto não se esquece e não vai ficar impune", sublinhou Asfura numa mensagem em vídeo divulgada pela Presidência hondurenha.
Asfura qualificou o massacre como "mais uma ferida que as Honduras não merecem" e enviou uma mensagem aos familiares dos mortos, assegurando que "só Deus consola e abraça a alma perante a perda dos nossos entes queridos".
O ataque ocorreu na madrugada de quinta-feira na aldeia Rigores, no município de Trujillo, em Colón, quando as vítimas se preparavam para trabalhar numa plantação de palma africana e foram emboscadas por homens armados, vestidos com uniformes da polícia.
O ministro da Segurança, Gerzon Velásquez, afirmou que várias pessoas foram executadas com armas de calibre elevado, e o chefe da polícia de Trujillo, Carlos Rojas, denunciou que grupos criminosos ocupam ilegalmente plantações de palma africana, utilizando os lucros para se armar e controlar a zona.
Para esclarecer o crime, o chefe de Estado anunciou um destacamento conjunto e imediato das forças de segurança em Colón, uma das zonas mais inseguras do território hondurenho devido ao narcotráfico e a um historial de conflito agrário que já provocou cerca de 200 mortos nas últimas décadas.
"O Ministério da Segurança, a Polícia Nacional, as Forças Armadas, a Direção Policial de Investigação e o Ministério Público estão a operar juntos em cada passo da investigação", afirmou Asfura.
O Presidente hondurenho sublinhou que a presença da Polícia Nacional e da Polícia Militar de Ordem Pública na zona é "a primeira resposta" estatal, adiantando que serão executadas mais ações à medida que as investigações avancem.
"Como Estado estamos a trabalhar para que a justiça chegue", garantiu Asfura, que também apresentou condolências à Polícia Nacional pela morte de cinco agentes da direção contra o crime organizado nas Honduras.
Os polícias foram sequestrados e assassinados em Corinto, zona na fronteira com a Guatemala, durante uma operação para capturar o líder de uma rede de narcotráfico e que segundo a Secretaria de Segurança se realizou "sem seguir os protocolos institucionais de legalidade, segurança e acompanhamento judicial".
Astura assegurou que as instituições do Estado irão capturar e conseguir a condenação dos responsáveis pela recente onda de violência que assola o país.
"Vamos encontrar quem fez isto e conseguir as suas condenações. Honduras, estamos de frente contra quem nos faz mal. As minhas condolências a cada família e o meu compromisso absoluto. Vamos enfrentar este flagelo sem medo e com força", concluiu Asfura.
As mortes coincidem com a aprovação parlamentar de reformas destinadas a combater a criminalidade organizada, incluindo o reforço das funções de segurança pública pelas Forças Armadas, a criação de uma unidade especializada contra o crime organizado e a possibilidade de classificar grupos criminosos como organizações terroristas.
O país, um dos mais pobres da América Latina, regista uma taxa de 24 homicídios por cada 100 mil habitantes e é governado desde janeiro por Asfura, eleito com apoio do Presidente norte-americano, Donald Trump, num escrutínio marcado por alegações de fraude e problemas técnicos.