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Primeira cimeira Brasil-Espanha da história na sexta-feira em Barcelona

Primeira cimeira Brasil-Espanha da história na sexta-feira em Barcelona

A primeira cimeira bilateral entre Brasil e Espanha celebra-se sexta-feira, em Barcelona, num momento em que os dois países são governados por partidos de esquerda e estão alinhados na geopolítica internacional.

Lusa /
Nacho Doce - Reuters

O Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, serão os protagonistas da cimeira e também de dois encontros no sábado, igualmente em Barcelona, que vão juntar dezenas de líderes de governos, de Estado e de partidos socialistas de todo o mundo.

Brasil e Espanha acordaram elevar formalmente o nível das relações diplomáticas na última visita de Sánchez ao país lusófono, em março de 2024, e os dois governos avançam agora com a "institucionalização" de cimeiras bilaterais regulares, que deverão realizar-se a cada dois anos, explicaram fontes do executivo de Madrid.

É a primeira vez que Espanha adota este formato das cimeiras bilaterais periódicas nas relações diplomáticas com um país da América Latina, sublinharam as fontes da Moncloa (Presidência do Governo espanhol).

As mesmas fontes realçaram que há neste momento "uma sintonia muito clara" entre os dois governos, além de relações económicas relevantes.

Sánchez e Lula da Silva vão encabeçar comitivas com cerca de dez ministros cada e serão assinados em Barcelona mais de uma dezena de acordos de cooperação bilateral relacionados com questões comerciais e económicas, inovação, ciência, cultura, igualdade racial e de género, entre outras, segundo a Moncloa.

No âmbito económico, estão previstos acordos "de especial interesse", como um relacionado com minerais críticos, revelaram as mesmas fontes, sem dar mais detalhes.

Além dos acordos bilaterais, sairá da cimeira uma declaração conjunta e os dois líderes deverão abordar questões também de âmbito regional (América Latina e Caribe) e global.

O Brasil é "um país chave" da América Latina e esta é uma "região prioritária" para Espanha, realçaram as fontes da Moncloa, que destacaram ainda a "visão partilhada" por Sánchez e Lula da Silva nos fóruns multilaterais em diversos âmbitos.

A primeira cimeira entre Brasil e Espanha ocorre, por outro lado, poucos meses antes da cimeira ibero-americana deste ano, que será em Madrid, em novembro, e quando está prestes a entrar em vigor o acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), acrescentou o executivo de Madrid.

No sábado, Sánchez e Lula da Silva serão também os protagonistas, em Barcelona, de duas reuniões de dirigentes de esquerda e de centro-esquerda de todo o mundo.

De manhã, decorrerá a IV Reunião em Defesa da Democracia, que reúne governos liderados por partidos de centro-esquerda, uma iniciativa lançada por Sánchez e Lula da Silva que já teve três edições, duas à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2024 e 2025, e outra em Santiago do Chile, também em 2025.

Até agora, tinha juntado essencialmente líderes da América Latina e Pedro Sànchez, mas desta vez a participação será mais alargada e são esperados primeiros-ministros, Presidentes ou outros representantes de executivos de perto de 20 países da Europa, África, Ásia e América Latina.

Segundo a lista divulgada pela Moncloa, além de Sánchez e Lula da Silva, estarão neste encontro os Presidentes de Cabo Verde, José Maria das Neves, da África do Sul, Cyril Ramaphosa, do México, Claudia Sheinbaum, da Colômbia, Gustavo Preto, do Uruguai, Yamandú Orsi, e da Irlanda, Catherine Connolly, assim como os primeiros-ministros da Albânia (Edi Rama), da Lituânia (Inga Ruginiené) e de Barbados (Mia Mottley) e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Esta reunião decorre à margem de um encontro mais alargado de líderes de partidos sociais-democratas de todo o mundo, organizado pela Internacional Socialista (atualmente presidida por Sánchez), o Partido dos Socialistas Europeus e a Aliança Progressista.

As três organizações multinacionais de partidos sociais-democratas juntam-se na Mobilização Global Progressista (GPM, na sigla em inglês), que arranca na sexta-feira à tarde, com seminários, e culmina com um plenário no sábado com a participação dos líderes presentes e que será encerrado por Sánchez e Lula da Silva.

Quando "o mundo enfrenta uma conjuntura difícil", é preciso dar visibilidade e sublinhar a "alternativa às forças conservadoras e de extrema-direita", "facilitando a sinergia e o alinhamento entre os atores globais de centro-esquerda", disse a organização do encontro.

O objetivo é contrapor, à agenda da direita e extrema-direita, outra que tem no centro a defesa da democracia, a igualdade, a justiça social, as políticas ambientais, o feminismo e a paz, acrescentaram fontes da organização.

A organização indicou que vão estar em Barcelona no GPM mais de 3.000 pessoas e representantes de mais de 100 partidos de todo o mundo.

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