Primeira-dama do Brasil "preparada" para ver ataques à sua imagem com IA
A primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula Silva, afirmou estar "preparada psicologicamente" durante as eleições gerais no país para ver o seu rosto e corpo exposto nas redes sociais em montagens de Inteligência Artificial (IA).
"Isso já acontece, e na campanha vai acontecer ainda mais", declarou em entrevista ao vivo na noite de segunda-feira ao jornal Folha de S. Paulo e ao portal UOL.
Janja, como é conhecida, afirmou ainda que os ataques a sua imagem são parte de uma estratégia política, porque "é mais fácil" para a extrema-direita atacá-la para atingir seu marido, o Presidente brasileiro Lula da Silva.
"Faz parte da estratégia política da extrema-direita. Contra isso, não tenho como combater", declarou.
Em determinado momento da entrevista, afirmou que a esquerda está atrás da extrema-direita nas redes sociais por uma questão de "princípios".
"É óbvio que estamos preocupados com as redes sociais. Sabemos que estamos muito atrás da extrema-direita (...) porque, eu acho que a gente tem mais princípios quando usa as redes sociais, coisas que eles não têm", acusou.
Ainda na entrevista, Janja afirmou que não tem pretensão a ser candidata e que gostaria de viver com Lula a "vida normal de casal" que os dois não conseguem ter neste momento, em função do cargo de Presidente do Brasil.
Janja também chamou de "misoginia" as críticas que sofre nas redes sociais que a qualificam como "gastadeira", ao comentar às viagens internacionais que já realizou ao longo de três anos e meio do governo Lula.
"Procuro me hospedar em embaixada, por questão de segurança e logística mais tranquila. Viajo de executiva por questão de segurança e não viajo de económica por alguns regulamentos que tenho que seguir", declarou.
"Eu respondo com trabalho que eu faço, sei o que estou fazendo e como estou fazendo. Essa questão da gastadeira é exemplo da misoginia pura que surfa nas redes sociais", concluiu.
Janja tem um gabinete no Palácio do Planalto e passou a divulgar sua agenda após o Governo brasileiro receber críticas pela falta de transparência dos compromissos realizados pela primeira-dama.
Socióloga de formação, Janja disse que a imprensa brasileira gosta da "fofoca", mas não tem interesse em saber do trabalho que realiza no combate ao feminicídio e à insegurança alimentar.
Ainda em resposta a esses comentários, Janja disse que a "sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente" e que sempre vai todos os dias para o Palácio do Planalto.
"Faço reunião, faço agenda, viajo a trabalho. A sociedade e a imprensa não estavam acostumados com isso", respondeu.
"Tenho certeza absoluta que muito do preconceito contra mim é um preconceito de classe, não venho de uma família rica, venho de uma família pobre, fiz universidade pública, fiz universidade trabalhando", lembrou.
Atualmente com 57 anos, a Janja é militante do Partido dos Trabalhadores (PT) desde os 15 anos, e ficou próxima de Lula, quando o petista esteve preso numa superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, em 2018.
Os dois são casados desde dezembro de 2022, sendo um casal que vive junto desde 2019, após Lula ser solto.
Ainda na entrevista, Janja evitou comentar qual o nome provável para substituir o presidente brasileiro dentro do PT e da esquerda brasileira daqui a quatro anos, uma vez que ele já tem 80 anos.
A primeira-dama também evitou se posicionar sobre aborto, quando questionada sobre o direito ao aborto no caso gravidezes indesejadas, que não tenham sido resultado de violência sexual.
Janja respondeu que há "muito tabu" dentro das famílias brasileiras para falar sobre o tema, e que o foco das discussões deveria ser a prevenção.
"Eu acho que nenhuma mulher, sei lá, em sã consciência, falando por mim, faria um aborto, mas acho que a gente tem que falar de prevenção", disse.