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Primeiro-ministro da Roménia demite-se
Depois da vitória esmagadora do candidato de extrema-direita nas eleições presidenciais deste domingo, o primeiro-ministro romeno, o social-democrata Marcel Ciolacu, anunciou a demissão esta segunda-feira, horas depois de afirmar que iria pedir ao seu partido de centro-esquerda para considerar abandonar a coligação governamental pró-ocidental que governava o país.
Ciolacu anunciou a retirada do seu partido da coligação, acrescentando que o gabinete de ministros se irá manter em funções interinamente, até à eleição de uma nova maioria depois da segunda volta das presidenciais, dentro de duas semanas.
"Tendo em conta os resultados da votação", a coligação formada com os liberais e o partido minoritário húngaro "já não tem legitimidade na sua forma actual", disse Ciolacu à imprensa após uma reunião do seu partido em Bucareste.
Como resultado, Ciolacu apresentou a sua demissão ao presidente e "propôs aos seus colegas" a saída do governo, que, por isso, deixará de ter a maioria necessária no Parlamento.
O candidato da coligação governamental, Crin Antonescu, não será candidato, tendo sido afastado à primeira volta realizada este domingo, vencida por George Simion, com 41 por cento dos votos.Como resultado, Ciolacu apresentou a sua demissão ao presidente e "propôs aos seus colegas" a saída do governo, que, por isso, deixará de ter a maioria necessária no Parlamento.
Simion, líder da Aliança para a União dos Romenos, de extrema-direita, é um eurocético e, se vencer a segunda volta, pode isolar a Roménia e desestabilizar o flanco leste da NATO.
Em segundo, com menos 20 por cento dos votos, ficou o autarca de Bucareste, Nicushór Dan, candidato independente, pró-europeu e com uma agenda anti-corrupção.
Nicushór Dan já dramatizou a segunda volta presidencial romena, assumindo que, devido à grande diferença de votos, vai ser difícil a luta contra o extremismo.
Após as eleições legislativas de dezembro, Marcel Ciolacu, de 57 anos, manteve-se chefe de governo, após um acordo de coligação entre o seu Partido Social Democrata (PSD), o Partido Nacional Liberal (PNL, centro-direita) e a União Democrática dos Húngaros da Roménia (UDMR), que visava proteger o país da ascensão da extrema-direita e apresentar um único candidato às eleições presidenciais.
Ao chegar apenas em terceiro, o homem do consenso, Crin Antonescu, quebrou esse pacto.
Ao chegar apenas em terceiro, o homem do consenso, Crin Antonescu, quebrou esse pacto.