Primeiro-ministro esloveno Robert Golob reivindica vitória nas legislativas
O primeiro-ministro esloveno, o liberal Robert Golob, reivindicou a vitória nas eleições legislativas de hoje, conquistando 29 mandatos parlamentares contra 28 para o partido nacionalista do ex-primeiro-ministro pró-Trump, Janez Jansa.
"Foi uma disputa renhida. Todos os que votaram, votaram na democracia, não apenas no Partido da Liberdade", declarou Robert Golob, no primeiro discurso da noite eleitoral, acrescentando que deseja garantir "um futuro melhor para todos" durante o seu "próximo mandato".
"Agora que conquistámos a confiança do povo, podemos olhar para o futuro com mais liberdade", assegurou.
De acordo com os resultados quase finais divulgados pela Comissão Eleitoral, o partido liberal do primeiro-ministro cessante encontra-se numa situação de "empate técnico" com o partido de Janez Jansa nas legislativas de hoje na Eslovénia.
O Movimento para a Liberdade (GS), de Golob, obteve 28,59% dos votos e o Partido Democrático Esloveno (SDS), de Jansa, 28,09%, após a contagem de 99,74% dos boletins de voto, com uma participação muito elevada, de quase 69%.
Jansa denunciou a existência de problemas técnicos no `site` da Internet da Comissão Eleitoral e anunciou a intenção de "recontar cada voto em todas as assembleias de voto".
Outros cinco partidos obtiveram votações que lhes permitem entrar no parlamento esloveno e, no jogo das alianças possíveis, nenhum dos lados parece capaz de garantir uma maioria absoluta de 46 em 90 mandatos, com um bloco de direita que poderá, contudo, reunir 43 mandatos, em contraste com os 40 da coligação de centro-esquerda cessante.
"O que parece claro é que a diferença será muito pequena", comentou Uros Esih, jornalista do diário Delo, que acredita que o partido eurocético Resnica, que conquistou cinco assentos parlamentares, poderá ser o fiel da balança.
"Mas governar, seja qual for o bloco, com um partido populista e antissistema só significa problemas e instabilidade", acrescentou, prevendo que esse Governo teria uma "vida curta".
Durante muito tempo atrás nas sondagens, Golob, de 59 anos, reduziu a diferença nas últimas semanas graças a medidas populares, como aumentos nas pensões e um bónus de Natal obrigatório, mas também devido ao contexto internacional, que lhe proporcionou uma ampla plataforma de apoio.
A guerra no Irão ofereceu aos partidos de esquerda "um grande palco para críticas", enquanto os laços estreitos de Jansa com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o obrigaram a manter-se em segundo plano, segundo o editor do suplemento dominical do jornal Delo, Ali Zerdin.
Aliado próximo do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, Janez Jansa, de 67 anos, conduziu uma campanha centrada no regresso aos "valores eslovenos", incluindo os da "família tradicional", e prometeu "fechar a torneira" dos fundos públicos a certas organizações não-governamentais e nacionalizar uma parte do sistema de saúde.
No seu terceiro mandato, entre 2020 e 2022, Jansa entrou repetidas vezes em conflito com a União Europeia (UE) e tentou silenciar os meios de comunicação que eram críticos da sua governação, alimentando acusações de uma deriva iliberal.
A sua gestão da pandemia da covid-19, considerada autoritária, fez sair às ruas em protesto dezenas de milhares de pessoas e resultou na vitória esmagadora de Golob, então um novato na política, em 2022.
À frente de uma coligação de centro-esquerda, este antigo executivo de uma empresa estatal do setor da energia concretizou um programa centrado na inclusão social, legalizando, entre outras medidas, o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo, no país de 2,1 milhões de habitantes, pertencente à antiga Jugoslávia e que é membro da União Europeia (UE) desde 2004.
Janez Jansa acusou-o de se comportar como se o dinheiro "crescesse nas árvores" e de esvaziar os cofres do Estado.
No plano internacional, Robert Golob criticou veementemente a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia -- um dos únicos pontos em comum com Jansa -, as ambições dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, território autónomo pertencente à Dinamarca, e reconheceu o Estado da Palestina.
No mandato de Golob, a Eslovénia foi também um dos poucos países da UE a classificar a guerra de Israel na Faixa de Gaza como "um genocídio".
A reta final da campanha foi marcada pelo escândalo Black Cube, nome de uma empresa privada de informações israelita suspeita de estar por detrás da divulgação `online` de filmagens de conversas entre um lobista, um advogado e um ex-ministro.
Estas gravações sugerem atos de corrupção dentro do Governo cessante e o alegado objetivo da sua divulgação foi influenciar a eleição a favor de Jansa, minando a confiança no primeiro-ministro cessante, Robert Golob.
Jansa admitiu ter-se reunido com um dos executivos da Black Cube, mas negou qualquer envolvimento na divulgação dos vídeos.