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Primeiro-ministro guineense felicita-se com fim da sublevação

Primeiro-ministro guineense felicita-se com fim da sublevação

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau disse hoje que as obras do restauro dos quartéis militares vão começar ainda este mês, pois o governo já tem garantias de apoio financeiro e material da China, congratulando-se com o fim da sublevação.

Agência LUSA /

Carlos Gomes Júnior fez esta e outras promessas na cerimónia de assinatura do "Memorando de Entendimento" que pôs fim à revolta militar iniciada quarta-feira, em que foi morto o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas guineense, general Veríssimo Correia Seabra.

A recuperação dos quartéis, a melhoria de condições de habitabilidade e de alimentação nas casernas, bem como o pagamento de salários em atraso aos militares constituem o grosso das reivindicações dos soldados que se rebelaram contra as chefias militares.

O primeiro-ministro pediu, por outro lado, o reforço da solidariedade da comunidade internacional como forma de ajudar a Guiné-Bissau a ultrapassar as actuais dificuldades económicas que o país enfrenta, sobretudo no capítulo de resolução dos problemas dos militares.

Carlos Gomes Júnior disse ainda que o governo vai promover reformas profundas nas Forças Armadas guineenses, de forma a redimensioná-las, sendo necessários "apoios concretos" da comunidade internacional.

Por seu lado, o líder dos militares revoltosos, major Bauté Iamta Namam, prometeu o regresso imediato dos militares às casernas, uma vez que se chegou a um entendimento com o governo.

"Nunca foi nosso desejo levar a cabo um golpe de Estado. Prova disso é que não tocámos nos membros do governo. A nossa revolta teve apenas a ver com os nossos chefes, que sempre nos enganaram", disse o major Bauté Namam.

Naquela que foi a sua primeira intervenção pública, o líder dos revoltosos afirmou que os militares "lamentam as mortes dos camaradas de armas", salientando que não havia intenção de matar.

"Estamos com dor e a sofrer pela perda de homens. O que motivou tudo isso foi a falta de diálogo entre nós e os nossos chefes.

Eles não nos diziam as coisas como se estavam a passar. Falavam com o governo em relação ao nosso salário e não nos informavam correctamente como as coisas se estavam a passar", disse.

O major Bauté Iamta afirmou ainda que nunca foi intenção dos militares pegar em armas para "espantar a população", adiantando que, por isso, dão por encerrada a rebelião.

Por outro lado, o general Tagme Na Wai, inspector-geral das Forças Armadas, falando na qualidade de representante das chefias militares e do Estado-Maior, indicou que a sublevação deve servir de lição para toda a sociedade guineense, defendendo o diálogo e evitando esconder os problemas, uma das razões do levantamento militar.

O general, cujo nome tem sido insistentemente veiculado nos meios castrenses como o próximo CEMGFA guineense, em regime de interinidade até às eleições presidenciais de 2005, sublinhou que, a partir de hoje, os chefes militares, do mais importante ao menos importante, devem ter a coragem de falar com os soldados, explicar o que se passa e enfrentar os problemas de frente.

Após a sua intervenção, que terminou com a repetição, por três vezes, da expressão "muito obrigado", Tagme Na Wai rompeu em lágrimas e, baixando a cabeça, assim ficou durante mais de três minutos, sendo frequentemente consolado e apoiado por Carlos Gomes Júnior, que não cessava de o encorajar.

Como uma das testemunhas do "acordo", e na qualidade de um dos enviados especiais da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, José Ramos Horta, saudou a forma como se chegou ao entendimento, mas sublinhou que o trabalho não termina agora.

"Pensamos que é só o começo. É preciso agora que todos trabalhemos no sentido de ajudar a Guiné-Bissau a voltar rapidamente para a via da normalidade de um Estado de Direito Democrático. A CPLP está pronta para isso", defendeu.

O Nobel da Paz timorense instou as instituições da República e os militares guineenses a tudo fazerem para resgatar a imagem da Guiné- Bissau, que disse ter ficado "ainda mais beliscada" com a crise.

"Acreditamos que com um comprometimento sério de todos os guineenses e da própria comunidade internacional essa imagem poderá ser resgatada rapidamente", acrescentou Ramos Horta.

O mesmo discurso foi também defendido pelo representante da Comunidade de Estados da Africa Ocidental (CEDEAO), o embaixador do Senegal em Bissau, general Abdoulaye Dieng, e pelo representante da União Africana (UA), o embaixador nigeriano na Guiné-Bissau, Bala Iacub.

Já o representante do secretário-geral da ONU na capital guineense, o moçambicano João Bernando Honwana, destacou o facto de o problema ter sido "resolvido pelos guineenses e com a mediação dos guineenses, apenas com a observação da comunidade internacional".

O acordo hoje rubricado pelo líder dos revoltosos, major Baute Namam e o governo, representado pelo próprio primeiro-ministro, prevê, entre outros pontos, o pagamento de todos os salários em atraso aos elementos das Forças Armadas, bem como uma amnistia geral para todos os militares que participaram em acções subversivas, golpe de Estado e tentativas de golpe de Estado registadas no país desde 14 de Novembro de 1980.

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